sábado, 19 de outubro de 2013

Será companhia?

Vespas são scooters clássicas. As melhores e mais giras e mais boas scooters que o mundo alguma vez viu. E este blogue chama-se Vespa & Companhia. E o que serão as companhias? Outras scooter clássicas? Outros veículos clássicos? Outros veículos de duas rodas?

De facto o nome quando foi criado era para ser ambiguo o suficiente para que a qualquer momento de devaneio ou alteração de rumo pudesse manter o nome sem grande dificuldade. A definição da companhia das Vespas neste blogue para mim é pouco importante mas nunca deixará de ser um blogue sobre Vespas primeiramente.

Tudo isto para introduzir um novo assunto, quiçá algo oportunista na ocasião em que surge mas não fui eu que mudei, foi a percepção do mundo em relação a esse assunto de que sempre fui grande apreciador e entusiasta "conformado": bicicletas.

Sim agora tudo é bicicletas, cena alternativa, hipsters, single e fixed gears, jantes largas e com cores vistosas, material retro caro, quadros vintage de aço e por aí fora. Há uns anos, alguns muitos anos, quando tive a minha primeira bicicleta de ciclismo, oferecida como prémio "por já ser grande" pelos meus ascendentes, uma Confersil que ainda mora comigo, fui olhado de lado pelos outros putos. Tive que lhes mostrar, muitas vezes que os passeios que eram suposto serem apenas em estrada e derivavam, não sei se por "maldade", se pela incúria energica dos jovens tempos, para a quinta e os estradões de terra, saltos e demais artimanhas, não eram impossíveis à Confersil que saltava, descia e vencia todos os obstáculos quase com a mesma facilidade que as ainda mais vintage, hoje em dia, BMX.

Depois vieram as BTT e aí já muito mais predisposição para o asfalto e maiores velocidades, com o surgir de mudanças que me equiparavam a mais um. Mas não, os meus pneus fininhos - tamanho 18 precisamente - davam abadas e vulgarmente acabavamos por derivar novamente para o mato. Cheguei a tentar apanhar autocarros e fazer subidas praticamente impossíveis na mudança mais pesada - e consegui! - que me valeram também correntes partidas. Apostas parvas mas que faziam parte.

Vim a descobrir uns anos mais tarde que os tratos daqueles tempos, além de cuidarem muito bem das jantes e dos pneus - que também sofriam com as longas derrapagens feitas no asfalto quente das tardes de verão na rua - tiveram também o seu efeito nefasto no quadro: acabou por rachar na zona da pedaleira e desde então tem estado à espera de soldadura que não acontece por todo um mundo de motivos e afazeres que sempre se impõem, infelizmente, às paixões secundárias.

Mas vou parar por aqui. não pretendo fazer disto um post auto-biográfico. Fui mais um puto no meio de outros tantos em que as bicicletas foram o meio de locamoção e muitas aventuras. E sempre que posso, apesar de viver nos arredores dormitórios de Lisboa, lá vou fazer o gosto às pernas, pulmões e, incrivelmente sempre que me sento no selim e giro as pernas, o sentimento de liberdade juvenil, despreocupada, isoladora do mundo rotineira, volta invariávelmente.

E hoje foi um desses dias.

Tinha que ir às compras. E tinha a Vespa na reserva. Ao fim de semana todos sabemos que as bombas são agradáveis locais de romaria de pessoas com mais ou menos idade, sem pressa e com vontade de derreter o fim de semana pachorrenta e calmamente à espera que a sua lenta e calma vez de abastecer chegue. Portanto, hipótese descartada.

Olhei para o UMM... Mas também não era aquilo que me estava... Hoje não, desculpa UMM, está bom tempo, fresco, o ar respirável de lavado pela chuva de ontem.

Também não foi dificil escolher qual levava. A Batavus obrigava-me a uma posição mais desportiva que não era o que me apetecia mais e também tinha sido a utilizada na ultima voltinha, acabei por me inclinar para a Doniselli, com guiador mais "tipo pasteleira" permitindo a posição mais vertical que me apetecia. E lá fui.


Ponte da Fraternidade, Seixal
Aqui os cerca de 300 metros de ciclovia sem ligação que foram oportunamente inaugurados antes da eleições autarquicas de Setembro passado.
Corroios da minha meninice continua semelhante. O "velho das bicicletas" onde tantas vezes fui comprar material que hoje sei seria chinês pela baixa qualidade mas também, mais importante naqueles dias, mais barato, agora é uma churrasqueira. A Casa Motex continua no mesmo sítio, não sei se igual, mas era mais cara que o "velho".


Quinta da Trindade, Seixal
"Foi parar" às mãos da Câmara Municipal do Seixal, na década de 80, depois de aprovado um projecto urbanístico para os terrenos da quinta. Safou-se a casa principal, imóvel de interesse público devido aos azuleijos que encerra. Encontra-se neste estado de abandono e degradação.
Os terrenos que não tinham sido alvo de construção e tinham ficado na posse da C. M. Seixal foram alienados a empreiteiros e "acimentados" com novas construções. Foi também celebrado um protocolo para a construção do centro de estágios do Benfica entre a câmara e o S. L. B.
O Bloco de Esquerda tem razão, o património merece mais, muito mais!
http://pt.wikipedia.org/wiki/Quinta_da_Trindade
O caminho é feito maioritariuamente por estrada normal. Uns troços nisconexos de ciclovia que de certeza custaram milhares e estão já em mau estado e praticamente sem utilizadores. No meu tempo não era nada assim, nem a estrada nacional, agora "aceirada" pelo estreitamente devido ao metro de superície que no Concelho do Seixal só faz Laranjeiro - Corroios (oficinas / garagem).


Moinho Novo dos Paulistas, Seixal
Foi adquirido na décado de 80 pela C. M. Seixal, tal como o Moinho de Maré de Corroios - este recuperado - e que se encontra também em degradação avançada, já com pequenas derrocadas e queda da cobertura, em certos pontos.
Pergunto-me o porquê comprar património se depois não se faz nada com ele. Cair por cair, ser destruído e saqueado, mais valia ser de privado,s empre tinhamos o "conforto" de saber que não podíamos fazer nada. Assim...
No regresso tenho que passar pela Baía do Seixal. Para mim este lençol de água ou de lodo, depende do estado da maré, tem um encanto. Não sei explicar, mas adoro o local, independentemente da margem: Seixal, Amora, Corroios, Pota do Corvos.

Depois há aquele pedaço de "estrada rural" que contorna o Centro de Estágios do Benfica, sempre encostada à baía e de onde se podem ver, ainda no acesso, a Quinta da Trindade, e já neste caminho, os Moinhos de Maré Novo e Velho dos Paulistas. Um da C. M. Seixal e a cair aos bocados, o outro à venda numa qualquer imobiliária por 750 000€.


Tuga style! :)
E regresso a casa, cheio de ar nos pulmões, felicidade, limpo - que ontem choveu e o caminho tinha poças e lama - e arrumo a Doniselli, tiro as molas das calças e volto ao trabalho que ainda tenho muito que fazer. Mas muito mais feliz e com muito mais vontade.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Porque reciclar é

Pensem em completar o título...

Já está?

Pronto reciclar é isso para vocês. Para nós há-de ser outra coisa. Pouco relevante para o caso.

Podíamos ter ido facilmente comprar daqueles vasilhames bonito que se vendem nas lojas da especialidade e que permitem que, colocado por baixo do motor, todo o óleo lá caia sem sujar nada. Podíamos até ter depois e já que estávamos na loja, ter adquirido outro recipiente para armazenar o óleo usado até o conseguirmos entregar no ponto de reciclagem mais próxima.

O que utilizamos por aqui quando se muda o óleo do motor da Vespa - dica, de 5000 em 5000 quilómetros, pelo menos a vossa embraiagem agradece - é uma garrafa de água cortada, um garrafão de lixívia e, para evitar que se suje (muito) o chão, a propaganda publicitária que nos entope a caixa do correio - aqui o autocolante "Publicidade não endereçada, não obrigado" não funciona -  depois de devidamente consultada e desactualizada.



E se forem daqueles tipos mesmo mesmo hardcore ainda utilizam uma seringa grande e não uma almotolia como aqui os meninos.

Não se esqueçam, de 5000 em 5000 quilometros...

O Vespa Clube de Lisboa pode ajudar-vos nessa tarefa se nunca o fizeram. Aqui.

P.S. - livrem-se de usar luvinhas de latex!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Venha o Inverno

Este fim-de-semana foi um fim de metamorfose. A Vespa deixou a pele de Verão e vestiu-se para o Inverno.

E mais umas mordomias - que na verdade são mais para mim do que para ela: pneu traseiro careca para a reciclagem, remontagem do Tucano Urbano Termoscud R013 - eu sei que já o tenho há dois anos e nunca fiz mais do que um texto com as primeiras impressões, mudança do óleo do motor, lubrificação de manetes, punhos, descanso e outros pontos que, com o tempo húmido, começam a teimar em não girar suavemente...

winter dressed

Com as primeiras chuvas, além destes cuidados, convém ter em atenção, muita atenção, enorme atenção, o estado geral do piso. Aquela espuma branca que se acumula nas bermas e poças? Aquelas zonas em que se conseguem vislumbrar as várias cores do arco-íris em formas mais ou menos concêntricas? Fujam delas! Aqueles lençóis de água que despertam o puto que há em nós (e vamos passar mesmo pelo meio e espirrar a água toda)? Calma puto, pode estar debaixo da água apetitosa um buraco que dará cabo de ti.

Por isso, com chuva, ando sempre com o pé sempre no travão, a antecipar manobras idiotas e muita calma. Sugiro-vos o mesmo. Vão ver que conseguem passar mais esta época adversa sem memórias difíceis de apagar. Todos queremos continuar a circular de scooter, certo?

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Post(a). STOP.


Rolo diáriamente. STOP.
Os 100000 já foram. STOP.
Quase nos 110000. STOP.
Os Bitubos !€#!?&€. STOP.
Barrote cansado! STOP.
vespa art. STOP.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Iberovespas

Eu gosto dos Iberovespa. Não apenas por ser o evento "grande" do meu clube mas porque o espírito é diferente. Como nos idos anos em que me iniciei nisto das Vespas: informal, amistoso, cordial, simpático, simples, acolhedor, pessoal.
Dir-me-ão que os outros eventos assim são e provavelmente têm razão.
Mas os anos criam amigos e momentos. Uns passam outros não se esquecem.
O momento deste 17º Iberovespa 2013 - Tomar em que todos começaram a entoar espontaneamente o Que viva España na entrega das lembranças aos nosso amigos espanhóis... serve para ilustrar aquilo de que os nossos iberovespas são feitos: de pessoas, com amigos, alguns separados por muitos quilómetros mas que nunca se esquecem, para todos.
Ficou o momento como tantos tantos outros, deste e doutros eventos e dos quilómetros feitos com o prazer de saber que vamos reencontrar os nossos.



E viva (e obrigado a)o Vespa Clube de Lisboa!

P.S. - dentro de momentos segue a programação sem lamechiches...

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Como funcionam as ignições electrónicas das Vespas

Desde sempre, ou com menos inverdade, desde os tempos em que as Vespas ainda se trasaccionavam em centenas de contos, nos dias em que fiquei a saber que as Rally 200, tinham um grande ponto fraco que era a inovadora ignição electrónica Femsatronic, selada, revistida a resina XPTO que impedia de vislumbrar o conteúdo da mesma.

Nesses tempos muitos optavam, face à desconfiança da magia oculta mas, publicidade da época, mais regular, fiável e precisa que a ignição electrónica proporcionava às velas, que davam melhor faísca e fazia mover melhor as partes mecânicas, dizia, optavam por alterar as ignições electrónicas para os fiáveis mas desafináveis platinados. Já conhecidos de há muito. E sempre se conseguia o jeitinho, mesmo com um platinado quase destruido de fazer a Vespa funcionar. Mal mas funcionava e sempre se conseguia deixar a Vespa noutro sítio que não a beira da estrada nacional.

O Femsatronic não; estava bom andava, estava estragado encosta (e nesses tempos pagava-se e bem a assiatência em viagem ou então conheciam alguém com uma carrinha que vos fazia o favor de ir buscar a Vespa).

Já em tempos mais recentes descobriu-se que afinal o velho e problemático Femsatronic poderia ser revesado por uma ignição de PK ou PX, mais recente, sem grandes alterações, trocando uns fios, ligando-as nas cores erradas e umas coisas... mas funcionava.

Mas... que diabo porque é que Femsatronic... bom, deixemos de bater no Femsa, as ignições electrónicas simplesmente "deixavam de funcionar"? Ainda por cima sem aviso?

Ah, porque sim, dizem uns, ah porque não ou talvez ou, ou... Não, para mim não serve. Muito menso depois de a ignição da PX ter ido ao ar assim mesmo: on -> off!

Nos tempos dos contos ainda remendei uma, Femsatronic entenda-se que afinal só tinha um fio partido. O método usado? Muito pouco ortodoxo mas descrevo; partir o canto do Femsatronic onde o fio que saía para a vela entrava, descobrir que afinal o problema era o fio partido, comprar fio novo, soldar, aproveitar os pedacinhos partidos, colá-los com supercola, depois mais supercola para preencher os espaços que faltavam, reconstruir tudo, limar os excessos com grosa, montar tudo, ligar os fios, ignição, rezar, dar ao kick e fazer fumo: reparado!

Como não existem Femsatronics a pontapés e me custa ainda assim destruir coisa que sei que em principio não funcionará mais mas... sempre é uma peça antiga e entre uma antiga que não hipoteticamente funciona e uma nova que igualmente sobre hipotese funcionará ou não, perde a nova: destruir uma ignição de PX.

Ignição PX #1Ei-la aqui toda satisfeita por se doar "à ciência"!
A intenção era ver o que estava lá dentro. "Ah mas é selado"! Pois, pois, Alguma coisa se deve conseguir ver.

E do pensar ao fazer...

Ignição PX #2

Bolas afinal é mesmo selada!

Ignição PX #3

Em nome "da ciência" declaro que as ignições electrónicas das Vespa PX são seladas e que não se consegue ver nada. Com sorte ainda conseguem serrar um componente ou outro, mas mesmo assim só perceberão que ele lá está, adivinhar o resto ou mesmo o tipo de componente, é mesmo só isso, adivinhar.

Mas ide lá serrar as ignições maradas que fazer é a meio caminho de saber!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Vespa «NOS» ou cem mil já cá estão

Podia começar este texto por escrever vendo Vespa PX 200 de 2003 NOS (new old stock) e colocar uma foto corrente do conta quilometros com os cento e tal quilómetros que já lá contam neste momento ou esperar por que marcase novamente mil e qualquer coisa para ser mais credível...

Ou podia, em mais um texto gabarolas, vir enaltecer isto e aquilo e que a minha Vespa fez e aconteceu e comparar com isto aquilo e o outro e...

Vespa PX 200 - 99999 | 00000

É mais simples do que isso.

Nos instantes em que vi o 99999|9 do conta quilómetros da PX a mudar lentamente (porque ia devagar para tirar a foto) para o 00000|0, que nunca tinha visto porque quando a comprei já marcava 00002|5, foi à filme: um flashback dos sítios por onde passei / passamos nesses quilómetros todos, de alguns momentos, de muitas pessoas...

Do primeiro vislumbre na montra do stand e do baque certeiro no peito: "é esta"!

Do primeiro abastecimento na Bomba da Repsol de Azeitão, da deixar na garagem e de encerrar a custo o portão e vê-la brilhante e com papeis protectores nos dizeres "Vespa", "PX200" e "Piaggio".

Da primeira viagem, a de rodagem: Coruche, Ponte de Sôr, Gavião, Vila de Rei, Sertã, Pampilhosa da Serra, Castelo Branco, Fratel...

Dos tempos em que a PX ainda não tinha folgas e eu cabelos brancos.

Do adoptá-la finalmente como veículo do dia-a-dia, depois de uns anos em que praticamente não andava porque era nova e não a queria "estragar".

Da primeira ida à Vespaniada e das Vespaniadas seguintes e longe, cada vez mais longe em Espanha até culminar em Valênica, estava feita a travessia de Espanha lés-a-lés!

Dos passeios "sem destino" de verão.

Das fugas à Costa Alenteja.

Das viagens míticas à Serra da Estrela, com frio, neve, vento e chuva a rodos.

Dos Iberovespas, obrigatórios.

Dos percursos intermináveis e repetitivos do dia-a-dia e onde de certeza mais quilómetros passámos.

Do primeiro gripanso...

De todas as boas pessoas, locais magnificos e momento únicos que se me porpocionaram ao andar de Vespa por aí.

E de tudo o que me esqueço agora e que de certeza é muito mais do que tudo isto e com certeza também não menos importantes e marcantes, mas já cronológicamente difusos nas lembranças.

E é por isso que as Vespas, algumas Vespas não têm preço. Não são um veículo, são um universo! De coisas, de acontecimentos, de pessoas, de memórias. Parte de nós. Crescemos juntos. Ela sou eu e eu ela, não fazemos sentido separados. Esta Vespa nunca existiria sem mim e este Pedro nunca seria o mesmo sem esta Vespa. Certo, se o estão a pensar, acertaram: é um casamento, até que a morte nos separe, sim!

Espero que a PX tenha disfrutado tanto quanto eu e que o passar dos números do conta quilómetros não tenham sido de mero cansaço mas sim de puro prazer. Tenho certeza que ela sabe, como eu sei e vocês sabem, que isto ainda agora começou!