quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Dia de ferry e um pouco mais - From Lisbon to Croatia - posta 6

Este foi um dia sem grande história. Foi passado praticamente todo no ferry de ligação entre Espanha - Barcelona e Itália - Savona. E no ferry não se passa grande coisa. Aproveitámos o tempo para fazer uns vídeos e tratar umas fotos do que já tínhamos feito até agora de viagem. E o tempo lá foi passando até colocarmos de novo os pés em terra, em Itália.

From Lisbon to Croatia - dia 4 - Barcelona - Savona
Ainda no dia anterior, na chegada ao ferry, brindámos!
From Lisbon to Croatia - dia 4 - Barcelona - Savona
No ferry... céu, mar e pouco mais...

O percurso que tínhamos que fazer, depois do desembarque, era curto. De Savona a Varazze foram uns 25 quilómetros, sempre à beira do mediterrâneo.

Chegados, fomos beber uma para celebrar a chegada a Itália. Um bar que nos serviu com as cervejas umas pizzas e um pão com qualquer coisa que no fim percebemos ser oferta (havemos de voltar a este bar). Aaaah, relaaaaaxxxxx...

Voltámos às Vespas para descobrir o apartamento e mais uma vez com o auxílio precioso do MeoDrive, lá descobrimos o caminho. Raio que aquilo era a subir!!!

Mas valeu a pena. A casa, além de enorme, tinha uma vista magnifica para a baía de Varazze com uma enorme varanda onde só apetecia sentar e... não fazer coisa alguma! Grande surpresa, grande reserva de última hora.

From Lisbon to Croatia - dia 4 - Varazze
Esta vista... f - a - n - t - á - s - t - i - c - a ! ! !

Varazze era uma estância balnear "estranha" aos nossos olhos, naquele momento. Porque, apesar de ter uma extensão de areia considerável, quase não se conseguia vê-la do passeio marginal. Percebemos depois que é "normal" existirem praias concessionadas - também as temos por cá, em Portugal - mas ali ocupavam a totalidade do areal e barravam mesmo o acesso a quem não fosse um utilizador pagador. Conseguimos depois ver duas ou três entradas, sendo que uma delas era um molhe de onde vimos um pôr-do-sol fabuloso; Varazze é estranho e bonito!

Sem grandes exigências deambulámos pelas ruas. Estava a aproximar-se a hora do jantar e não tínhamos qualquer referência, sugestão ou conhecimento. Metemo-nos pela parte antiga, com ruas estreitas e casas tipicamente italianas e deparámos com uma procissão. Metia padre e seus ajudantes, porta estandartes, banda, escuteiros e os fiéis atrás disto tudo. Se não estivessem com canticos em italiano, poderiam perfeitamente serem fies portugueses...

From Lisbon to Croatia - dia 4 - Varazze
Panorâmica de Varazze ao pôr-do-sol.

Talvez por esta paragem forçada acabámos por descobrir um pátio com um restaurante fabuloso, com pratos tipicamente italianos e, razão principal, onde estava um enorme grupo de locais, com a simpatia e o trato que é devida sempre que temos ido a Itália. Meter conversa, somos de Portugal, vamos para Croácia, de Vespa, ó que fixe e pronto, está feito, somos aceites como locais e tratados como tal. É isto que procuramos e quando o conseguimos... é aquele misto de sensação de querer ir e ficar ao mesmo tempo. Percebem?

From Lisbon to Croatia - dia 4 - Varazze
Ao jantar...

Brindámos a quem não pode vir - ao Ferreira! - comemos coisas que não sabíamos bem o que eram antes de vir para a mesa, por muito esforço na tentativa de explicação e ficámos muito satisfeitos. De comida e de bebida.

Deambulámos novamente até casa, com a satisfação da pança reconfortada da boa comida e a cabeça alegre do bom vinho. Amanhã continuávamos a descer Itália pela costa, atravessando outro objectivo psicológico da viagem: conhecer o parque de Cinque Terre.



sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

E ao terceiro dia de viagem, descansámos! - From Lisbon to Croatia - posta 5

O "condomínio" já não estava tão calmo, ao acordar.

From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - cacifos para arrumar a bagagem
Pessoas à janela, bebés a chorarem e vozes que soavam, umas nítidas mas em dialetos que não entendíamos, outras murmúrios distantes e igualmente incompreensíveis. Nada que nos incomodasse por aí além mas algo que denunciava a sobrelotação do espaço, ou melhor, dos espaços, apesar de pequenos albergavam várias famílias numerosas.

Tivemos que sair do "condomínio" e, como este dia – já vos escrevi – iria ser gasto por Barcelona, tivemos que encontrar um sítio onde deixar alguma bagagem e os capacetes. Pensámos na estação dos comboios que poderia ter cacifos. E lá fomos. Mas não tinha. Perguntámos por lá onde poderiam existir e indicaram-nos uma estação rodoviária que os tinha efectivamente.

Depois das bagagens arrumadas, com alguma perícia e tentatívas frustradas à mistura, partimos à descoberta de Barcelona.

Até à Sagrada Família fomos a pé, era relativamente perto. Obra emblemática de Gaudí, em construção ainda hoje, feita exclusivamente com dinheiros de contribuições de privados e que não podia faltar nas fotos. Digo eu, imponentemente magistral e única!

Apanhámos o metro para ir ver o Parque Güell, outra contribuição de Gaudí para a sua cidade e encontrámos o primeiro de alguns outdoors com a "nossa" Sara Sampaio. Foi o primeiro, tivemos que registar em foto. A moça tem mesmo sucesso além fronteiras, heim!?!

From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - a Sagrada Família (de Gaudí)
From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - a Sagrada Família (nossa)
From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - a caminho do Parque Güell

O Parque Güell vale mesmo a pena. Não só pelo parque em si e pelas obras que contem, como pela magnífica vista panorâmica sobre Barcelona!

From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - panorâmica

From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - Only Scooter From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - cañas com vista para a Plaça de Catalunya
From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - Las Ramblas From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - exposição de motos de fabrico espanhol
From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - a descansar no Parque Güell From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - a triunfar novamente, com arco
From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - à espera da ordem de entrada no ferry para Savona
From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - The Harlem Shake? ou o emparelhamento dos intercoms
O regresso foi feito a pé, com destino a Las Ramblas mas sem percurso definido. Deambulamos pelas ruas. Passámos uma loja, Only Scooter que nos fez lembrar a Old Scooter um dos nossos patrocinadores e, mais que isso, amigos de longa data.

Encontrámos também uma exposição sobre motos de fabrico espanhol. Que quantidade de fabricantes e que história, no desporto, no dia-a-dia, nas aventuras relatadas e pilotos referidos! Pena termos chegado quase ao fechar da mesma, mas ainda deu para aprender qualquer coisa e ver como alguns dos modelos em exposição, eram bastante evoluídos para o seu tempo.

Acabámos o dia com umas jolas geladinhas para anular o bafo que se fazia sentir, com vista para a Plaça de Catalunya, o pôr-do-sol e o movimento constante e contínuo de pessoas, automóveis e o pulsar frenético de toda aquela cidade.

E, antes de pegarmos na bagagem e nos deslocarmos para o porto onde iríamos apanhar o ferry para Savona – porto a cerca de vinte quilómetros de Génova mas bem mais barato que este – picámos qualquer coisa num bar de tapas. A hora era de futebol, Barcelona vs Juventus, na final da Liga dos Campeões que acabou por ser ganha pela equipa da terra. Imaginam o ambiente, quer no bar quer após a vitória. Os catalães são doidos pela sua equipa principal e fizeram questão de mostrar o seu contentamento, pelas ruas.

Chegados ao porto, englobámos um grupo de motociclistas, maioritariamente italianos, sendo nós os únicos vespistas. Vimos de onde, vão para onde, quantos quilómetros... Conversas ponteadas por sorrisos e admiração. Afinal, de todos eles, eramos os que tinham mais quilómetros já feitos, por dia. E seríamos os que mais distância iriam percorrer, no final da viagem! Bravi ragazzi, exclamaram!

Lá embarcámos. E o ferry deixou o porto, lentamente. Barcelona e as luzes do seu porto foram ficando para trás. Ao longe. Cada vez mais longe...

Fomos para o convés e brindámos com vinho, um velho costume das nossas viagens. Metemos conversa com os motoristas de pesados portugueses. Ou meteram eles connosco. Muitos iam para o nosso destino mas com prazos profissionalmente muito diferentes dos nossos, feitos em passeio. Também colhemos admiração junto deles, de Vespa e para a Croácia e voltar. E isso aguenta, sem problemas? Sim, sim, esperemos que sim, dizíamos nós.

Descemos à cabine. Apertada já de si, quase claustrofóbica com malas, capacetes e quase todas as nossas bagagens, camas baixadas e quatro lá dentro. Gadgets e telemóveis a carregar, passámos à instalação e sincronização dos intercomunicadores que nos haviam sido cedidos pela Motoni, outro dos nossos patrocinadores. Pufff, era coisa fácil, pensámos. Mas foi a primeira de muitas tentativas até percebermos o funcionamento devido ao emparelhamento dos quatro dispositivos, com sucesso. Foi sempre o primeiro assunto dos próximos dias e persistente nas paragens durante os mesmos; uns emparelhavam, outros ficavam de fora, depois entravam outros e saiam os que estavam.

O sono chegou.

As próximas vinte horas seriam no ferry. À saída esperáva-nos Itália. O Emanuel já lá tinha estado em 2006, em Turim, para participar no EuroVespa mas para os restantes era a completa estreia com as nossas Vespas fora da Península Ibérica.

Que nervoso miudinho!



terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Lisboa, Inverno, Vespa

scooter winter

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Atravessámos Espanha! - From Lisbon to Croatia - posta 4

E partimos de Guadalajara. Era cedo. Oito da manhã é cedo para quem chega à uma e trinta da madrugada e ainda tem que descarregar as Vespas, jantar...

o pequeno-almoço em Guadalajara
O pequeno-almoço em Guadalajara.

Tomámos o pequeno-almoço, com o sol a fazer franzir o sobrolho ensonado, na mesma rua onde tínhamos jantado. No único estabelecimento aberto, ou melhor, que estava a abrir quando lá chegámos. E lá nos fizemos ao caminho.

A estrada continuava monótona e escaldante. Não apetecia nem luvas nem casaco e as viseiras seguiam abertas para sentir o ar. Os casacos pouco apertados, no limiar de ser apenas o necessário para os prender a nós. Por muita falta de vontade que tínhamos de os levar vestidos, a segurança falou mais alto!

O Rui «dos gadgets»
O Rui «dos gadgets».
E quilómetros e mais quilómetros de calor e abastecimentos mais ou menos regulares foram-se sucedendo e nem a estrada dos duros nos animou!

É assim chamado o troço da N-11 quando a A-2 (gratuita) passa a AP-2 (paga), perto de Saragoça, o que leva a que muitos condutores, principalmente de pesados e outros veículos lentos, se desviem para esta, para continuarem o percurso sem pagar. Mais à frente, cerca de 123 quilómetros depois de uma paisagem lunar, árida e seca, praticamente sem cruzar localidades, a N-11 encontra novamente a A-2, perto de Fraga.

Como já tínhamos passado por aqui noutras viagens e apanhámos uma fila contínua de pesados, pensámos que iriamos encontrar mais ou menos este cenário, sentindo-nos ainda mais pequenos do que já nos sentíamos ao circular naquelas estradas rectas, entre intermináveis planícies tórridas, a perder de vista. Mas, apesar do movimento ser bastante elevado, conseguimos quase sempre ultrapassagens seguras e ponderadas e continuar o nosso caminho por entre olhares admirados e sinais sonoros de regozijo, dos camionistas. Também eles, ao verem-nos passar, estavam a interromper a sua monotonia.

Chegados novamente à A-2 praticamente nos sentíamos em Barcelona, apesar dos ainda cerca de 200 quilómetros a percorrer.

O Emanuel, «Mago ds Vespas»
O Emanuel, «Mago ds Vespas».
E a Barcelona chegámos na hora de ponta de uma sexta-feira; mega caos! À medida que nos aproximávamos, íamos sentido mais o aumento de tráfego até que o tráfego se transformou em filas de trânsito compactas e tivemos que passar das faixas para o meio das mesmas, serpenteando, como os locais conduzindo maioritáriamente scooters, com as nossas Vespas pelo meio das filas de carros.

Sem saber muito bem onde era exactamente o local que tínhamos agendado pelo airbnb, num plano de contingencia porque à última da hora a anterior reserva que tinhamos feito, cancelou, optámos por seguir para a Avenida Diagonal e encostar numa sombra. No pára arranca e no circular a velocidades mais reduzidas ainda se sentia mais o calor sufocante e, nós e as Vespas, já precisávamos de uma pausa para repor a temperatura o mais baixo possível.

Com a ajuda do MeoDrive - um simpático patrocínio da Meo que muito nos auxiliou nesta viagem e que teremos oportunidade de falar ao longo deste relatos mais pormenorizadamente - lá chegámos ao destino. Uma zona de Barcelona repleta de imigrantes.

Telefonamos para o contacto a lá nos apareceu um emigrante que praticamente não falava Espanhol. Línguas estrangeiras só Francês aparentemente. Alguns gestos, poucas palavras e vários acenos de cabeça depois lá nos fizemos entender. Era para esperarmos que já lá vinha alguém...

Barcelona, foto de grupo, tentativa 1...
Barcelona, foto de grupo, tentativa 1...
Barcelona, foto de grupo, tentativa 2...
Barcelona, foto de grupo, tentativa 2...
Barcelona, foto de grupo, tentativa 3...
Barcelona, foto de grupo, tentativa 3...
Barcelona, foto de grupo, tentativa 4...
Barcelona, foto de grupo, tentativa 4...
Barcelona, foto de grupo!
Barcelona e, finalmente (!), a foto de grupo.

Lá chegou o "chefe" e com este já nos conseguimos entender. Dois de nós foram ver o apartamento, num prédio cheio de imigrantes do magrebinos, chineses, indianos, com pequenos apartamentos feitos da divisão de uma área maior, num andar elevado e sem elevador. Ao entrarem encontraram quatro pessoas descontraidamente a ver televisão e a comer amendoins, cascas pelo chão, deitados em cima das camas. Descalços, claro, um bom costume muçulmano. Percebemos serem conhecidos "do chefe" que os mandou sair. Saíram e levaram a televisão. E "o chefe" achou que estava tudo em condições, entregou-nos a chave e fez tenções de ir embora. "Oh chefe e acha que isto está em condições?" Camas desarrumadas e cascas pelo chão?


Woooouuuh wooouuh! Já deixámos Espanha para trás.

Desceram e "o chefe" foi falar com o primeiro emigrante que ficou de ter tudo limpo e mudado dali a uma hora. E os de nós que tinham ido ver o apartamento, contaram aos que ficaram o que se passava. Rimos todos, afinal o barato tinha que ter algo. Mas para nós, depois de limpo e camas mudadas, ficou perfeito!

E concordamos todos, enquanto esperávamos pela limpeza, ir para um tasco, também ele de um emigrante, mesmo em frente do prédio que nos iria acolher, beber umas jolas geladinhas. Espanha estava passada, brindámos a isso!

Find Estevão...
Find Estevão...
Barcelona, arco do triunfo
Barcelona, arco do triunfo.

A noite foi gasta a andar sem destino ou sentido definidos por Barcelona. Amanhã teríamos o dia todo livre – o ferry para Savona era só às 23:55 – e não valia a pena avançar muito pela noite dentro para visitarmos alguns sítios icónicos desta cidade. Ainda assim não conseguimos recolher muito cedo. Afinal quase todos nós só tínhamos estado em Barcelona de passagem e Barcelona é Barcelona.

O "condomínio" de imigrantes estava calmo à nossa chegada...


Foi este sensívelmente o nosso percurso no segundo dia de viagem.
Cerca de 550 Km percorridos.


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Vespa Raid Maroc, 2015

Já foram dar um olhinho às fotos e vídeos do Vespa Raid Maroc deste ano? Não!!? Como não?


Por sí só bastava uma visita para fazer qualquer um de nós se roer de inveja mas, ainda por cima, tem a participação de dois amigos portugueses: Vasco Rodrigues e Pedro Oliveira, da equipa Vasco's Garage.

É obrigatório seguir diáriamente!

http://www.vesparaidmaroc.com/
http://www.facebook.com/Vespa-Raid-Maroc-222372851178457

terça-feira, 27 de outubro de 2015

O primeiro - From Lisbon to Croatia - posta 3

E finalmente chegou o primeiro dia de estrada!

A saída foi cedo. Lembro-me que me levantei ainda mais cedo do que se fosse para ir trabalhar, depois de na véspera ter estado, também até mais tarde, a preparar as coisas, já deixando o mais possível pronto para ser só agarrar e ir. Era o nervoso miudinho!

na Atalaia, Montijo
Atalaia, Montijo - ponto de encontro inicial.

A A33, como geralmente oiço de manhã na rádio mas ignoro porque não me afecta, estava congestionada a partir do Barreiro mas até aí a Vespa estava a andar com o demo lá dentro - ou então era já o meu conta-quilómetros a começar a se desintegrar pois ia desembestado a uns 130km/h.

Está calor? Gigleur maior.
Está calor? Gigleur maior!
E lá cheguei à Atalaia onde era o ponto de encontro. Espero na rotunda... espero... espero... telefono mas ninguém me atende... Até que aparece um funcionário da Câmara Municipal daquela zona e me diz "Também vais para a concentração? Onde é que é?" E fiquei duplamente alerta; também vou?! Onde é que é?!! E lá lhe respondi que íamos até à Croácia e que estava à espera dos restantes três. Ao que ele retorquiu com indiferença, à primeira parte – ou não fazendo ideia de onde era a Croácia ou pensando que estava a gozar com ele ou achando perfeitamente normal a Vespa lá chegar – e retorquindo à segunda. Disse-me que eles já tinham passado, sim eram três e eram duas motas vermelhas e uma escura. Raios, correspondia à descrição. Achei estranho mas tinha-me atrasado um pouco no trânsito... iam parar mais à frente, pensei.

Agradeci, desejou-me boa viagem, obrigado, obrigado e vá de enroscar punho.

Já ia no Passil quando sinto o telefone a vibrar. Páro de imediato na berma e era o Kes. "Então pá já foste andando? Estamos aqui, em frente à igreja da Atalaia que é fixe para tirarmos um fotos e tal". E lá vou eu para trás.

coffee to make or take
Em espanhol "Café para tomar o llevar", em inglês "Coffee to make or take"...
E lá estavam eles e as Vespas e os amigos da ArPlano. Tinham-me visto e pensavam que eu também os tinha visto. Contei-lhes a história do tipo da Câmara Municipal. Sorrisos durante e risos intensos no final da história.

Lá combinámos as coisas, depois de tiramos umas fotos. Os moços da ArPlano iam fazer ainda um pequeno filme da despedida de Portugal – nesse dia já iriamos chegar à Guadalajara – de carro e com um drone. Nós avançávamos, aproveitando a estrada mais ou menos direita que se seguia, devagar, e eles iam-nos ultrapassando e depois nós a eles e nós a eles de seguida, numa primeira fase. Depois parávamos e lá entrava o drone em serviço. E ficou altamente!

Mas com tudo isto eram 11 horas e nós só ainda perto de Pegões! Tínhamos que seguir e também o material que já tinham já chegava para uma coisa engraçada.

É agora. Despedidas feitos, foi o verdadeiro início da viagem, a fazer quilómetros para sair de portugal e atravessar a primeira metade de Espanha mais um bocadinho, o mais rápido possível.


Despedida de Portugal em grande estilo, com a ArPlano.

E esta parte da história, é a história conhecida de quem já atravessou Espanha, directo a Madrid. Praticamente deserto, só autoestrada, só parando para abastecer e comer qualquer coisa nas áreas de serviço e quilómetros e mais quilómetros e muito, muito calor. Claro que Espanha não só disto. Saindo para estradas nacionais e / ou regionais é quase tudo diferente – o calor mantem-se! – e encontramos sempre pessoas e terras simpáticas. Mas o muito que ainda tínhamos que andar, não nos permitiam ir, para nós, pelos melhores caminhos. Infelizmente.

tinto verano em Trujillo
Em Trujillo, tinto de verano, pois claro!

Mas há um ponto que se tem tornado obrigatório parar; Trujillo. Para celebrar com um tinto de verano bem gelado que os trinta e muitos graus que estavam a isso obrigavam. Nos casacos pretos o sol até queimava e, mesmo com eles só presos nas molas e de fechos abertos, o ar era bafo! E depois estivemos à sombra a colar mais uns autocolantes de patrocionadores e deu a moleza e arrancar custou bastante.

MeoDrive
As Vespas e o Meodrive.
Mais autoestrada, mais calor, mais quilómetros. Recta. Monotonia. Som dos motores das Vespas. Quebrados apenas por um ou outro carro que passava e por uma ultrapassagem empranchados aos camiões. Sempre a prego! Chegámos aos arredores de Madrid. À radial M-50. Aquilo é uma confusão e um caos e atravessámo-la quase na hora de ponta. Tirando um ou outro acelera todos se respeitam e a coisa lá acaba por fluir sem grandes incidentes por entre carros e camiões e trabalhadores mais ou menos ansiosos por chegar a casa. Coisa digna de registo é que acertámos no caminho à primeira – aqui louros ao Emanuel porque viu os mapas e o Meodrive, memorizou tudo e não tivemos que fazer a radial toda novamente para voltar à casa de partida, fazendo os 80 quilómetros do total desta.

Agora só faltavam uns cento e poucos quilómetros até Guadalajara onde tínhamos já reservado alojamento. E já nos tinham telefonado para fazermos uma estimativa da hora de chegada. Hora de chegada? Devolvemos a chamada. "Diz-lhe que estamos de Vespa." E o Rui disse mas ficámos com a sensação que não perceberam nada. Vespa?!! Péksis! No? Arrancámos.

Guadalajara, fim do primeiro dia
Guadalajara, fim do primeiro dia.
Quando chegamos a Guadalajara tivemos que andar à procura do hostel. Pela morada ninguém nos sabia dizer ao certo onde era – uns diziam que era ao pé do hospital, outros outra coisa completamente diferente e para o lado aposto – e a hora também já era avançada, não se vi muita gente, naquela quinta-feira à noite. Uma consulta ao MeoDrive que nos indicava o sítio certo que era por ali, virar acoli e tornar à esquerda acolá mas não nos parecia nada. Mas era mesmo! E quando chegámos de Vespa, a rapariga que nos recebeu ficou surpreendida. Não tinha mesmo percebido nada. "Sim, sim, vimos de Portugal e vamos para a Croácia", foi primeira de muitas vezes e linguas em que tentámos repetir isto!

Guiou-nos ao quarto, quatro camas com WC, impecável e perguntámos onde é que podíamos comer. Disse-nos que aquela hora era difícil, que o hostel tinha restaurante mas que, ou ia fechar em breve ou já tinha fechado. Foi ver. Ainda dava para lá ir. E fomos. Saem quatro hambúrguers cheios de molhos e batatas fritas e salada, acompanhados com quatro cañas geladinhas. Soube-nos maravilhosamente bem, depois de todos os quilómetros feitos!

Foi comer e ir dormir que amanhã era outro dia e tínhamos que começar cedo. Senão ia ser como este dia, sair tarde é chegar tarde e de noite os quilómetros custam mais. Bom neste caso até não que de noite sempre estavam uns vinte graus muito melhor do que os quase quarenta que apanhámos na torreira do sol, a meio de Espanha.


Foi este sensívelmente o nosso percurso no primeiro dia.
660 Km percorridos.

Um dos dois dias que Espanha iria consumir na ida, estava terminado sem percalços de maior mas também sem grande histórias.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Working Vespa

working Vespa
Murtinheira
Quiaios, Figueira da Foz, Portugal

Vê-las no seu habitat natural...