quarta-feira, 13 de abril de 2016

Regresso a casa molhado, é regresso a casa abençoado

Ontem, Ponte 25 de Abril...


Esperemos que hoje não nos abençoem tanto.
Ainda temos bençãos que sobrem de ontem.

quinta-feira, 31 de março de 2016

De Varazze a Livorno, por Cinque Terre - From Lisbon to Croatia - posta 7

Depois dos primeiros quilómetros em Itália e de encher os pulmões daquele país maravilhoso, para o segundo dia tínhamos delineado um percurso sempre à beira do Mediterrâneo, descendo da Liguria para a Toscana, com passagem obrigatória pelo Parco Nazionale delle Cinque Terre.

From Lisbon to Croatia - dia 5 - (perto de) Moneglia
Calor e mediterrâneo, estrada fantástica e Vespas!

Todos nós já tínhamos ouvido falar e visto fotos, das suas estradas recortadas, das suas pequenas aldeias à beira mar e, no tempo livre na travessia de ferry, decidimos que por aí seria o caminho. Não traçámos grandes percursos, nem tão pouco definimos estradas, horas ou destinos; íamos e logo se via onde parávamos e onde chegaríamos, sem stress, como sempre combinámos que seria esta viagem.

O primeiro grande momento deste dia foi chegar a Moneglia através da Estrada Statale 370.

Porquê?

Porque são quilómetros sempre à beira do Mediterrâneo, salpicados com praias, pequenas localidades e, na estrada, uma série de túneis que... só percorridos! Mal comparado porque cada sítio tem o seu local, se conhecerem a Ilha da Madeira, do lado norte existem uns túneis antigos que estão vedados ao trânsito. Estão a ver?! Em Itália estão ao serviço, com o trânsito normal do dia-a-dia e são um belíssimo cartão-de-visita! E depois o bom tempo, o sol, o mar e a vontade de parar e ficar logo por ali a aproveitar todo aquele cenário.

Mas com dificuldade lá fomos avançando.

Não pelo mau caminho ou pelas estradas em mau estado mas por todo o cenário. Ora parando para uma foto, ora circulando devagar ou mesmo parando à entrada dos túneis porque muitos deles só têm um sentido e quinze minutos de espera máxima, caso não ser a vez de avançar de quem segue no nosso sentido. Por mais túneis e paisagens e cheiros, cores ou sensações que se guardem na memória não se consegue descrever e, mesmo as fotos ou os vídeos, não vos conseguem transmitir tudo. Estávamos oficialmente embriagados com Itália!

From Lisbon to Croatia - dia 5 - Riomaggiore
Sem palavras: Riomaggiore

Quando nos tivemos que afastar obrigatoriamente da orla marítima porque deixa de haver estrada por aí, passámos para a serra e entrámos no Parco Nazionale delle Cinque Terre. Curvámos, perdemo-nos por querer sempre a estrada mais remota, desfrutámos e, das cinco aldeias que dão nome ao parque, fomos visitar Riomaggiore. Não por ser melhor ou ter algo a mais que as restantes quatro mas apenas porque era a que ficava mais a caminho. E, se são todas assim, vale a pena - tirando os muitos turistas e o very tipical das lojas que vendem recordações de uma passagem por ali. Mas, bolas, também o éramos ali e naquele momento. Certamente turistas diferentes dos restantes, nas recordações que trouxemos e nas sensações que procurámos obter mas mais uns turistas entre tantos.

Ficámos por ali a olhar. Para um lado, com as suas casas sobranceiras de cores pastel, para o outro, com os seus pequenos barcos de pesca e pescadores nos seus afazeres, para a frente, a ver quem se banhava e dava mergulhos verdadeiramente olímpicos dos penhascos. Não podíamos estar mais satisfeitos!

From Lisbon to Croatia - dia 5 - Riomaggiore
Óóóó diaaaaaaaaaboo...

O Rui serviu de fotógrafo numa sessão fotográfica deveras sui generis. Um "casal" que tirava fotos, primeiro, ela em grandes poses e de biquíni reduzido e fluorescente e ele de tablet em punho, escolhia os locais e os fundos mais apetecíveis. Depois, trocaram. Ele de calção, polo e sapato de vela e ela já de vestido - que entretanto o sol ia-se escondendo - envergando o mesmo tablet, fotografando-o em poses mais sérias e de homem responsável. A seguir, como tinham vindo para perto de nós e como se os planos individuais já os tivessem satisfeito, pediram ao Rui se lhes tirava umas fotos aos dois juntos. Tudo normal, não fosse o improvável do casal e o facto de ela parecer um ele mal disfarçado ou uma ela muito (mal!) retocada. Não, não somos homofóbicos ou outro nome feio que vos possa estar a ocorrer neste momento, somos apenas rapazes de bom gosto.

From Lisbon to Croatia - dia 5 - Parque Nazionale delle Cinque Terre
Subimos novamente até às Vespas, era hora de seguir. Estávamos sensivelmente a meio do caminho que tínhamos pensado fazer hoje e a "melhor parte" estava feita.

O dia passou ainda por La Spezia, fim do Parco Nazionale delle Cinque Terre e da estrada sinuosa e praticamente sem carros. Portanto, boa. Enveredamos pela E80, uma estrada recta e plana e com muito trânsito e camiões. Não tão boa. Mas, como foi feita quase totalmente a prego, passou a ser "divertida". Justificámos mentalmente o ir a fundo com o avançado da hora e de ter alguém à nossa espera.

Nesta estrada passámos "ao lado" de Pisa mas ainda não foi desta que visitámos a torre inclinada. Seguimos até Livorno, quase sempre a prego.

Inicialmente, quando estávamos a fazer os (poucos) planos para esta viagem e quando começámos a divulga-la aos amigos, resolvemos logo passar por Livorno até porque julgámos que iriamos ter a companhia, nesta parte da viagem, de uma grande amiga nossa, Italianíssima de Livorno. Mas infelizmente não foi possível. No entanto quem tem amigos tem tudo e indicou-nos um casal amigo e como amigo do amigo, nosso amigo é, contacto para ali, combinação para ali, arranjaram-nos alojamento, levaram-nos a jantar e tudo e tudo para que nos sentíssemos em casa: um grande bem-haja para a Clelia, Andrea e Silvia.

Com recepções destas ficamos eternamente em dívida!

E o dia acabou. Recolhemos, já tarde, ao nosso alojamento em plena baixa de Livorno, junto aos canais, na Scali del Pesce.

Se algum de vocês precisar de alojamento para aqueles lados não hesitem: http://www.airbnb.pt/rooms/3874323. Daquela janela temos Itália a nossos pés!

O vídeo do dia

O mapa do dia

Foi este sensívelmente o nosso percurso no quinto dia de viagem.
Cerca de 300 Km percorridos.


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

1994, 24 de Junho, acesso Sul - Norte à Ponte 25 de Abril - ainda tinham dúvidas que as Vespas estão em todo o lado?


Estávamos em 1994. Dia 24 de Junho. As portagens na Ponte 25 de Abril aumentavam de 100 para 150 escudos, para os veículos ligeiros. 720 escudos para camiões. Os dias passavam e as reinvindicações dos utentes - para reduzir o brutal aumento - não eram escutadas. Os camionistas, fartos de serem ignorados, bloquearam o acesso Sul - Norte. O acesso Norte - Sul também foi bloqueado por condutores solidários com a luta. Um longo dia.

E, na frente do bloqueio Sul - Norte, lá estava uma Vespa (azul. Aqui a cores, tirada de uma vídeo da época).

Era engraçado conseguir-se identificar esta Vespa e ver por onde anda na actualidade.

Será que ainda está com o mesmo dono?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Dia de ferry e um pouco mais - From Lisbon to Croatia - posta 6

Este foi um dia sem grande história. Foi passado praticamente todo no ferry de ligação entre Espanha - Barcelona e Itália - Savona. E no ferry não se passa grande coisa. Aproveitámos o tempo para fazer uns vídeos e tratar umas fotos do que já tínhamos feito até agora de viagem. E o tempo lá foi passando até colocarmos de novo os pés em terra, em Itália.

From Lisbon to Croatia - dia 4 - Barcelona - Savona
Ainda no dia anterior, na chegada ao ferry, brindámos!
From Lisbon to Croatia - dia 4 - Barcelona - Savona
No ferry... céu, mar e pouco mais...

O percurso que tínhamos que fazer, depois do desembarque, era curto. De Savona a Varazze foram uns 25 quilómetros, sempre à beira do mediterrâneo.

Chegados, fomos beber uma para celebrar a chegada a Itália. Um bar que nos serviu com as cervejas umas pizzas e um pão com qualquer coisa que no fim percebemos ser oferta (havemos de voltar a este bar). Aaaah, relaaaaaxxxxx...

Voltámos às Vespas para descobrir o apartamento e mais uma vez com o auxílio precioso do MeoDrive, lá descobrimos o caminho. Raio que aquilo era a subir!!!

Mas valeu a pena. A casa, além de enorme, tinha uma vista magnifica para a baía de Varazze com uma enorme varanda onde só apetecia sentar e... não fazer coisa alguma! Grande surpresa, grande reserva de última hora.

From Lisbon to Croatia - dia 4 - Varazze
Esta vista... f - a - n - t - á - s - t - i - c - a ! ! !

Varazze era uma estância balnear "estranha" aos nossos olhos, naquele momento. Porque, apesar de ter uma extensão de areia considerável, quase não se conseguia vê-la do passeio marginal. Percebemos depois que é "normal" existirem praias concessionadas - também as temos por cá, em Portugal - mas ali ocupavam a totalidade do areal e barravam mesmo o acesso a quem não fosse um utilizador pagador. Conseguimos depois ver duas ou três entradas, sendo que uma delas era um molhe de onde vimos um pôr-do-sol fabuloso; Varazze é estranho e bonito!

Sem grandes exigências deambulámos pelas ruas. Estava a aproximar-se a hora do jantar e não tínhamos qualquer referência, sugestão ou conhecimento. Metemo-nos pela parte antiga, com ruas estreitas e casas tipicamente italianas e deparámos com uma procissão. Metia padre e seus ajudantes, porta estandartes, banda, escuteiros e os fiéis atrás disto tudo. Se não estivessem com canticos em italiano, poderiam perfeitamente serem fies portugueses...

From Lisbon to Croatia - dia 4 - Varazze
Panorâmica de Varazze ao pôr-do-sol.

Talvez por esta paragem forçada acabámos por descobrir um pátio com um restaurante fabuloso, com pratos tipicamente italianos e, razão principal, onde estava um enorme grupo de locais, com a simpatia e o trato que é devida sempre que temos ido a Itália. Meter conversa, somos de Portugal, vamos para Croácia, de Vespa, ó que fixe e pronto, está feito, somos aceites como locais e tratados como tal. É isto que procuramos e quando o conseguimos... é aquele misto de sensação de querer ir e ficar ao mesmo tempo. Percebem?

From Lisbon to Croatia - dia 4 - Varazze
Ao jantar...

Brindámos a quem não pode vir - ao Ferreira! - comemos coisas que não sabíamos bem o que eram antes de vir para a mesa, por muito esforço na tentativa de explicação e ficámos muito satisfeitos. De comida e de bebida.

Deambulámos novamente até casa, com a satisfação da pança reconfortada da boa comida e a cabeça alegre do bom vinho. Amanhã continuávamos a descer Itália pela costa, atravessando outro objectivo psicológico da viagem: conhecer o parque de Cinque Terre.



sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

E ao terceiro dia de viagem, descansámos! - From Lisbon to Croatia - posta 5

O "condomínio" já não estava tão calmo, ao acordar.

From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - cacifos para arrumar a bagagem
Pessoas à janela, bebés a chorarem e vozes que soavam, umas nítidas mas em dialetos que não entendíamos, outras murmúrios distantes e igualmente incompreensíveis. Nada que nos incomodasse por aí além mas algo que denunciava a sobrelotação do espaço, ou melhor, dos espaços, apesar de pequenos albergavam várias famílias numerosas.

Tivemos que sair do "condomínio" e, como este dia – já vos escrevi – iria ser gasto por Barcelona, tivemos que encontrar um sítio onde deixar alguma bagagem e os capacetes. Pensámos na estação dos comboios que poderia ter cacifos. E lá fomos. Mas não tinha. Perguntámos por lá onde poderiam existir e indicaram-nos uma estação rodoviária que os tinha efectivamente.

Depois das bagagens arrumadas, com alguma perícia e tentatívas frustradas à mistura, partimos à descoberta de Barcelona.

Até à Sagrada Família fomos a pé, era relativamente perto. Obra emblemática de Gaudí, em construção ainda hoje, feita exclusivamente com dinheiros de contribuições de privados e que não podia faltar nas fotos. Digo eu, imponentemente magistral e única!

Apanhámos o metro para ir ver o Parque Güell, outra contribuição de Gaudí para a sua cidade e encontrámos o primeiro de alguns outdoors com a "nossa" Sara Sampaio. Foi o primeiro, tivemos que registar em foto. A moça tem mesmo sucesso além fronteiras, heim!?!

From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - a Sagrada Família (de Gaudí)
From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - a Sagrada Família (nossa)
From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - a caminho do Parque Güell

O Parque Güell vale mesmo a pena. Não só pelo parque em si e pelas obras que contem, como pela magnífica vista panorâmica sobre Barcelona!

From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - panorâmica

From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - Only Scooter From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - cañas com vista para a Plaça de Catalunya
From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - Las Ramblas From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - exposição de motos de fabrico espanhol
From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - a descansar no Parque Güell From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - a triunfar novamente, com arco
From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - à espera da ordem de entrada no ferry para Savona
From Lisbon to Croatia - dia 3 - Barcelona - The Harlem Shake? ou o emparelhamento dos intercoms
O regresso foi feito a pé, com destino a Las Ramblas mas sem percurso definido. Deambulamos pelas ruas. Passámos uma loja, Only Scooter que nos fez lembrar a Old Scooter um dos nossos patrocinadores e, mais que isso, amigos de longa data.

Encontrámos também uma exposição sobre motos de fabrico espanhol. Que quantidade de fabricantes e que história, no desporto, no dia-a-dia, nas aventuras relatadas e pilotos referidos! Pena termos chegado quase ao fechar da mesma, mas ainda deu para aprender qualquer coisa e ver como alguns dos modelos em exposição, eram bastante evoluídos para o seu tempo.

Acabámos o dia com umas jolas geladinhas para anular o bafo que se fazia sentir, com vista para a Plaça de Catalunya, o pôr-do-sol e o movimento constante e contínuo de pessoas, automóveis e o pulsar frenético de toda aquela cidade.

E, antes de pegarmos na bagagem e nos deslocarmos para o porto onde iríamos apanhar o ferry para Savona – porto a cerca de vinte quilómetros de Génova mas bem mais barato que este – picámos qualquer coisa num bar de tapas. A hora era de futebol, Barcelona vs Juventus, na final da Liga dos Campeões que acabou por ser ganha pela equipa da terra. Imaginam o ambiente, quer no bar quer após a vitória. Os catalães são doidos pela sua equipa principal e fizeram questão de mostrar o seu contentamento, pelas ruas.

Chegados ao porto, englobámos um grupo de motociclistas, maioritariamente italianos, sendo nós os únicos vespistas. Vimos de onde, vão para onde, quantos quilómetros... Conversas ponteadas por sorrisos e admiração. Afinal, de todos eles, eramos os que tinham mais quilómetros já feitos, por dia. E seríamos os que mais distância iriam percorrer, no final da viagem! Bravi ragazzi, exclamaram!

Lá embarcámos. E o ferry deixou o porto, lentamente. Barcelona e as luzes do seu porto foram ficando para trás. Ao longe. Cada vez mais longe...

Fomos para o convés e brindámos com vinho, um velho costume das nossas viagens. Metemos conversa com os motoristas de pesados portugueses. Ou meteram eles connosco. Muitos iam para o nosso destino mas com prazos profissionalmente muito diferentes dos nossos, feitos em passeio. Também colhemos admiração junto deles, de Vespa e para a Croácia e voltar. E isso aguenta, sem problemas? Sim, sim, esperemos que sim, dizíamos nós.

Descemos à cabine. Apertada já de si, quase claustrofóbica com malas, capacetes e quase todas as nossas bagagens, camas baixadas e quatro lá dentro. Gadgets e telemóveis a carregar, passámos à instalação e sincronização dos intercomunicadores que nos haviam sido cedidos pela Motoni, outro dos nossos patrocinadores. Pufff, era coisa fácil, pensámos. Mas foi a primeira de muitas tentativas até percebermos o funcionamento devido ao emparelhamento dos quatro dispositivos, com sucesso. Foi sempre o primeiro assunto dos próximos dias e persistente nas paragens durante os mesmos; uns emparelhavam, outros ficavam de fora, depois entravam outros e saiam os que estavam.

O sono chegou.

As próximas vinte horas seriam no ferry. À saída esperáva-nos Itália. O Emanuel já lá tinha estado em 2006, em Turim, para participar no EuroVespa mas para os restantes era a completa estreia com as nossas Vespas fora da Península Ibérica.

Que nervoso miudinho!



terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Lisboa, Inverno, Vespa

scooter winter

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Atravessámos Espanha! - From Lisbon to Croatia - posta 4

E partimos de Guadalajara. Era cedo. Oito da manhã é cedo para quem chega à uma e trinta da madrugada e ainda tem que descarregar as Vespas, jantar...

o pequeno-almoço em Guadalajara
O pequeno-almoço em Guadalajara.

Tomámos o pequeno-almoço, com o sol a fazer franzir o sobrolho ensonado, na mesma rua onde tínhamos jantado. No único estabelecimento aberto, ou melhor, que estava a abrir quando lá chegámos. E lá nos fizemos ao caminho.

A estrada continuava monótona e escaldante. Não apetecia nem luvas nem casaco e as viseiras seguiam abertas para sentir o ar. Os casacos pouco apertados, no limiar de ser apenas o necessário para os prender a nós. Por muita falta de vontade que tínhamos de os levar vestidos, a segurança falou mais alto!

O Rui «dos gadgets»
O Rui «dos gadgets».
E quilómetros e mais quilómetros de calor e abastecimentos mais ou menos regulares foram-se sucedendo e nem a estrada dos duros nos animou!

É assim chamado o troço da N-11 quando a A-2 (gratuita) passa a AP-2 (paga), perto de Saragoça, o que leva a que muitos condutores, principalmente de pesados e outros veículos lentos, se desviem para esta, para continuarem o percurso sem pagar. Mais à frente, cerca de 123 quilómetros depois de uma paisagem lunar, árida e seca, praticamente sem cruzar localidades, a N-11 encontra novamente a A-2, perto de Fraga.

Como já tínhamos passado por aqui noutras viagens e apanhámos uma fila contínua de pesados, pensámos que iriamos encontrar mais ou menos este cenário, sentindo-nos ainda mais pequenos do que já nos sentíamos ao circular naquelas estradas rectas, entre intermináveis planícies tórridas, a perder de vista. Mas, apesar do movimento ser bastante elevado, conseguimos quase sempre ultrapassagens seguras e ponderadas e continuar o nosso caminho por entre olhares admirados e sinais sonoros de regozijo, dos camionistas. Também eles, ao verem-nos passar, estavam a interromper a sua monotonia.

Chegados novamente à A-2 praticamente nos sentíamos em Barcelona, apesar dos ainda cerca de 200 quilómetros a percorrer.

O Emanuel, «Mago ds Vespas»
O Emanuel, «Mago ds Vespas».
E a Barcelona chegámos na hora de ponta de uma sexta-feira; mega caos! À medida que nos aproximávamos, íamos sentido mais o aumento de tráfego até que o tráfego se transformou em filas de trânsito compactas e tivemos que passar das faixas para o meio das mesmas, serpenteando, como os locais conduzindo maioritáriamente scooters, com as nossas Vespas pelo meio das filas de carros.

Sem saber muito bem onde era exactamente o local que tínhamos agendado pelo airbnb, num plano de contingencia porque à última da hora a anterior reserva que tinhamos feito, cancelou, optámos por seguir para a Avenida Diagonal e encostar numa sombra. No pára arranca e no circular a velocidades mais reduzidas ainda se sentia mais o calor sufocante e, nós e as Vespas, já precisávamos de uma pausa para repor a temperatura o mais baixo possível.

Com a ajuda do MeoDrive - um simpático patrocínio da Meo que muito nos auxiliou nesta viagem e que teremos oportunidade de falar ao longo deste relatos mais pormenorizadamente - lá chegámos ao destino. Uma zona de Barcelona repleta de imigrantes.

Telefonamos para o contacto a lá nos apareceu um emigrante que praticamente não falava Espanhol. Línguas estrangeiras só Francês aparentemente. Alguns gestos, poucas palavras e vários acenos de cabeça depois lá nos fizemos entender. Era para esperarmos que já lá vinha alguém...

Barcelona, foto de grupo, tentativa 1...
Barcelona, foto de grupo, tentativa 1...
Barcelona, foto de grupo, tentativa 2...
Barcelona, foto de grupo, tentativa 2...
Barcelona, foto de grupo, tentativa 3...
Barcelona, foto de grupo, tentativa 3...
Barcelona, foto de grupo, tentativa 4...
Barcelona, foto de grupo, tentativa 4...
Barcelona, foto de grupo!
Barcelona e, finalmente (!), a foto de grupo.

Lá chegou o "chefe" e com este já nos conseguimos entender. Dois de nós foram ver o apartamento, num prédio cheio de imigrantes do magrebinos, chineses, indianos, com pequenos apartamentos feitos da divisão de uma área maior, num andar elevado e sem elevador. Ao entrarem encontraram quatro pessoas descontraidamente a ver televisão e a comer amendoins, cascas pelo chão, deitados em cima das camas. Descalços, claro, um bom costume muçulmano. Percebemos serem conhecidos "do chefe" que os mandou sair. Saíram e levaram a televisão. E "o chefe" achou que estava tudo em condições, entregou-nos a chave e fez tenções de ir embora. "Oh chefe e acha que isto está em condições?" Camas desarrumadas e cascas pelo chão?


Woooouuuh wooouuh! Já deixámos Espanha para trás.

Desceram e "o chefe" foi falar com o primeiro emigrante que ficou de ter tudo limpo e mudado dali a uma hora. E os de nós que tinham ido ver o apartamento, contaram aos que ficaram o que se passava. Rimos todos, afinal o barato tinha que ter algo. Mas para nós, depois de limpo e camas mudadas, ficou perfeito!

E concordamos todos, enquanto esperávamos pela limpeza, ir para um tasco, também ele de um emigrante, mesmo em frente do prédio que nos iria acolher, beber umas jolas geladinhas. Espanha estava passada, brindámos a isso!

Find Estevão...
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Barcelona, arco do triunfo
Barcelona, arco do triunfo.

A noite foi gasta a andar sem destino ou sentido definidos por Barcelona. Amanhã teríamos o dia todo livre – o ferry para Savona era só às 23:55 – e não valia a pena avançar muito pela noite dentro para visitarmos alguns sítios icónicos desta cidade. Ainda assim não conseguimos recolher muito cedo. Afinal quase todos nós só tínhamos estado em Barcelona de passagem e Barcelona é Barcelona.

O "condomínio" de imigrantes estava calmo à nossa chegada...


Foi este sensívelmente o nosso percurso no segundo dia de viagem.
Cerca de 550 Km percorridos.