quinta-feira, 23 de julho de 2009

S - U - R - R - E - A - L

Tinha recebido um telefonema de manhã a avisar que havia grande confusão de trânsito no percurso que levo todos os dias para Lisboa. Parece que havia alguns problemas com os pagamentos multibanco nas portagens da Ponte 25 de Abril. Bah, grande problema, de Vespa vou passando pelos automóveis que se perfilam uns atrás dos outros, com relativa facilidade.

Chegado à ponte, já após as portagens, havia uma operação da Brigada Fiscal que pura e simplesmente parava o trânsito a seu belo gosto, para deslocar viaturas das "garrafinhas" mais interiores, para junto da GNR. Isto, mais os problemas com os multibancos, gerava a confusão.

Estava parado, descansado da vida, a pensar que não valeria a pena fazer a transgressão do dia-a-dia à frente do Polícia, quando o trânsito lá arranca novamente ao sinal de avanço deste e a Vespa segue marcha. Acordo com um grito de "Alto!", seguido de apitadela furiosa... Olho para trás surpreendido; tenho que encostar, segundo gesto do Guarda Fiscal. Ó diabo, queres ver que me vão revistar a Vespa? Há histórias de terem revistado vespistas na fronteira de Espanha e que por acaso até estavam a fazer contrabando de alfinetes... Ok, mas isso foi no tempo do Salazar!

Ao grito de "Isto não pode andar na Ponte!" por parte do Guarda Fiscal para o seu homólogo GNR, percebi o que se passava; otário, por isso mesmo é que és Guarda Fiscal e não GNR, capiche? Está visto que tens os mesmos conhecimentos que um seixo do rio, redondinho e rijo como tu. Sorrindo para o GNR apenas perguntei se poderia seguir. Sorriso retribuído, pergunta-me se a Vespa era um motociclo, resposta, tem 200cm3, passo cá todos os dias, amanhã pode-me apanhar facilmente, mais ou menos à mesma hora, devolve-me um siga lá, benevolente e risonho...

Siga que tenho mais que fazer!



Nesta foto, bem poderia ter entrado o Sr. Guarda Fiscal que queria ser GNR... Daqui, só aproveitava o UMM que a jola, média, já devia estar choca e morta.

De portageiros já tinha recebido "piropos" parecidos e recusas de me deixar seguir sem presença de um Polícia que o autorizasse, mas de um elemento policial, nunca! Sei que a especialidade deste Sr. Guarda Fiscal não é ser Polícia de Trânsito, mas... então... meta-se no seu ofício!

Eu também não sei alcatroar estradas...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dilatação do tempo



Não é raro sentirmos que viajamos no tempo ao volante de uma vespa. Um capacete aberto, uma estrada de campo e uma vespa clássica são a receita mais simples de o fazer, mas confesso que até nas modernas PX consigo sentir-me no antigamente. Voltamos atrás, até ao tempo em que pouca gente tinha carro, o tempo em que a moda não era ter um diesel XPTO ou viver atolado em empréstimos. Não que se vivesse melhor, porque o dinheiro faltava à mesma, mas também não se vivia acima das possibilidades. E o que havia para levar a família até à cidade? Uma vespa, ou uma motorizada de baixo custo e manutenção, e servia para tudo. Levava a mulher, o filho, as couves, por vezes até o cão. Não que seja um belo exemplo de segurança rodoviária, mas uma prova de que cada um se safa com o que tem. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e um país outrora movido em duas rodas passa à finesse dos engarrafamentos. Quem passou pela história da motorizada com a família às costas foge delas a sete pés, e quem não passou sente o preconceito de outrora: Andar de mota é coisa para o povo... e ainda por cima é perigoso. Pois é, mas não impede tanta e tanta gente em países desenvolvidos (e com muito menos dias de sol do que o nosso) de optar por uma mota quando se trata de escolher o veículo de utilização diária. Mas não é para o discurso moralista que cá venho. É para um vídeo com algo para nos ensinar e que ainda por cima mete vespas ao barulho, mas a viagem no tempo é feita no sentido contrário, ou seja, viajamos para o futuro. Já estão baralhados? Então 'bora lá...

Trata-se de uma explicação do Carl Sagan sobre a deformação do tempo quando viajamos à velocidade da luz. Primeiro vamos à ciência, que surge exemplificada no vídeo de uma forma tão simples que até eu fui capaz de perceber. Ligando à teoria da relatividade, temos que:


onde
 \Delta t \, é o intervalo de tempo medido por um observador em movimento com velocidade v relativa ao observador estático.
 \Delta t' \, é o intervalo de tempo medido por um observador estático entre dois eventos ocorridos no mesmo local.
 v \, é diferença de velocidade entre os dois observadores
 c \, é a velocidade da luz
No vídeo, o rapaz da vespa arrancou à velocidade da luz (ainda há-de me dizer que kit é que pôs naquilo, porque a minha pouco passa dos 100km/h...) e deixou o irmão no largo da aldeia. Após uma volta que para ele foi de alguns minutos, regressa ao largo e encontra o irmão já de bengala, ainda à sua espera. Pela fórmula, e numa análise puramente matemática, percebemos que se a velocidade do rapaz na vespa era igual à velocidade da luz (ou próxima disso), então a variação de tempo para o irmão que ficou no largo resulta na divisão da variação do tempo do irmão da vespa pela raiz quadrada de 0 (1-1=0), que por sua vez é também igual a 0. Ora... qualquer coisa a dividir por zero irá tender para infinito, e o tempo para quem ficou parado passou de forma infinitamente mais rápida do que para quem estava em movimento. Claro que a velocidade da luz é algo inatingível, mesmo em termos teóricos, mas enfim... já sabem que, quanto maior a velocidade a que se deslocam, mais devagar o tempo passa para vocês. Não que isto sirva de desculpa para andar em excessos de velocidade, porque à nossa micro-escala de velocidades pouca diferença fará andar a 200 ou a 120... e sempre se poupa no ambiente, em consumos/desgaste da viatura, e sobretudo em multas!

Fui à wikipedia sacar as fórmulas, e apercebi-me que o artigo onde estas constam (http://en.wikipedia.org/wiki/Time_dilation) contém um erro: Na descrição das variáveis da fórmula por mim exposta trocaram o  \Delta t' \, pelo  \Delta t \, (poderá conter mais, mas confesso que não o li todo).

Agradeçam ao Zé Pedro pela dica, senão nem havia vídeo nem a ideia de o tentar explicar ;)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Rotundas

Como as rotundas parecem um elemento em vias de expansão nas nossas estradas e como parece que há aí muita gente que AINDA não sabe circular nas mesmas, não é demais (re)lembrar algumas regras de circulação recomendadas.

Tendo em conta uma das muitas revisões do Código da Estrada, esta a de 23 de Fevereiro de 2005, relativamente à circulação em rotundas, os condutores devem adoptar o comportamento descrito em baixo.

O condutor que pretende tomar a primeira saída da rotunda deve: ocupar, dentro da rotunda, a via da direita, sinalizando antecipadamente quando pretende sair.

Se pretender tomar qualquer das outras saídas deve: ocupar, dentro da rotunda, a via de trânsito mais adequada em função da saída que vai utilizar (2ª saída = 2ª via; 3ª saída= 3ª via); aproximar-se progressivamente da via da direita;
Fazer sinal para a direita depois de passar a saída imediatamente anterior à que pretende uitilizar; mudar para a via de trânsito da direita antes da saída, sinalizando antecipadamente quando for sair.

Arranjamos três voluntários para circular numa rotunda, muito parecidos com um conhecido vespista da nossa praça (uma dica: testa LMLs em revistas da especialidade, de calções e chinelos, orgulhoso do seu físico pujante) que nos permitiram fazer esta ilustração, exclusivo aqui no Vespa & Companhia, para demonstrar como se deve circular correctamente nas rotundas.


Fig. 1 - como circular nas rotundas

Nunca é demais aprender e ou relembrar, quem já sabia, das boas regras que devemos ter sempre presentes. Mas, perguntam vocês mentes irrequietas, qual a multa para quem não cumprir?

Pois... nenhuma! É que aparentemente isto não é uma regra é um... conselho (!?!), uma boa prática... A ser cumprida, facilita a vida de todos, a não ser cumprida, dificulta-nos a todos menos a quem não cumpre, além de colocar em perigo quem cumpre, mas temos que nos contentar com isso.

E se por obra do acaso, não do desrespeito desta regras, ocorrer um sinistro, imaginem, a culpa será de quem circula como aconselhado pelo código da estrada e autoridades!

Curioso, não é?

Livrem-se de não aparecerem no 13º Iberovespa 2009 - Arganil!

quinta-feira, 19 de março de 2009

13º IberoVespa - Arganil

Mais uma edição do maior evento vespista nacional está já aí ao virar da esquina.

Desta feita o Vespa Clube de Lisboa muda-se, de armas e bagagens, para o centro do país, escolhendo o concelho de Arganil e as suas belas paisagens para receber a 13ª edição do IberoVespa. Podem contar com paisagens de cortar a respiração, passeios inesquecíveis e muita animação.

O evento ficará sediado no Parque de Campismo de Arganil, dando daí acesso aos passeios a zonas tão emblemáticas como Fraga da Pena, Mata da Margaraça ou Piodão.

Contamos com vocês para tornar, mais uma vez, o IberoVespa o maior evento vespista nacional e ibérico.

Mais informações no site oficial do Vespa Clube de Lisboa.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O tilt eléctrico, resolvido

A falta de luz não me permitia circular com a segurança necessária na via pública e, se nalguns pormenores facilito e não deveria - pneus já mais carecas do que o desejável, bateria nas couves, pastilhas de travão frontal gastas - para a durabilidade e fiabilidade que quero da minha Vespa, neste caso era pior, pois poderia causar danos mais graves. Não só em mim ou na Vespa, mas nos demais.

Durante algumas semanas andei com a Vespa a perder as luzes indicadoras no guiador, a ficar sem piscas, ora um, depois o outro, a mandar flashadas com as luzes da frente... Pensava eu que era o efeito das chuvadas, da água em demasia que ia apanhando nos percursos do dia-a-dia. A Vespa estava a ressentir-se. Até que fiquei mesmo sem qualquer luz e o reles e rotineiro caminho diário, tornou-se num percurso tenebroso, feito após um dia de trabalho, mais uma vez, com muita chuva à mistura e já de noite.

Depois de ter experimentado tudo o que, achava eu, tinha lógica para tentar resolver este problema, com um misto do pouco que sabia, tive que me socorrer do Manel das Vespas. E, num instante o problema estava resolvido. Hip hip hurra para quem sabe!

Afinal o problema estava no rectificador. Afinal o problema estava profundamente enraizado na sucata que tenho na garagem. Eu explico...

Na pouca experiência que tenho de problemas em Vespas mais evoluídas, com mariquices como rectificadores, fusíveis e baterias e em que a fiabilidade é o prato do dia - longe vão os tempos e os anos dourados da 50S, pura e dura - mudei o rectificador, é certo. O problema é que mudei por um usado que estava ainda pior do que o primeiro. Resultado: o aproximar do dia seguinte e o pânico de não ter luzes na única Vespa que posso considerar para o meu dia-a-dia... Estão a ver...

As ligações do rectificador de origem.
No LML, com o rectificador na mesma posição, são exactamente as mesmas: preto, vermelho e branco, vermelho, azul e verde + branco.
A "caixinha verde" é o relé dos piscas...

Ao contrário do que afirmei no post anterior sobre o mesmo assunto, dificilmente o problema poderia ser do fusível. O fusível se fundido, corta a bateria e consequentemente ficaria sem arranque eléctrico e buzina, nunca sem luzes, nunca com lâmpadas fundidas acabadinhas de trocar, etc.

Sabendo vós que a Vespa, PX, direi, a última e única Vespa dos dias de hoje ou de um passado recentíssimo, acabou, temos o problema das peças. Temos, ponto e vírgula que a Piaggio continua a embalar peças a avulso, em lindos saquinhos de plástico - e acabaram com a PX, por ser poluente - com os seus logos, como peças de origem e de qualidade que deveriam ser. Mas não são! Com a agravante de serem sobre taxadas com as impressões dos saquinhos e da utilização glamorosa da marca Piaggio, seus logos e universo extinto de fiabilidade.

Como marcas e saquinhos com logos não fazem Vespas andarem novamente, nem atestam da qualidade das peças, nem têm dó nem piedade das nossas carteiras, aconselhado pelo Manel, fui à Originalvespa pedir um, pasmem-se os mais incrédulos, revoltem-se os mais puristas, rectificador de LML Star Deluxe!

Por cerca de metade do preço e provindos da mesma fábrica donde saem os (rectificadores) Piaggio, antes de ensacados nos saquinhos bonitos, fez-se a brincadeira e a minha Vespa ficou de novo sem problemas e com a luz que sempre a dotou; forte, viva e branca. Felicidade! O problema estava resolvido e poderia, no dia seguinte e como sempre desde há uns anos, ir trabalhar gloriosa e felizmente montado na minha Vespa.

Agora a parte mesquinha...

A PX 200 de origem, dizem as especificações, debitam 80 Watts. A minha estava de origem, por isso fazendo fé no que a Piaggio diz, debitaria, à saída do rectificador, os tais 80W. Nunca os tendo medido, creio, não andariam longe da verdade.

Como alguns saberão e outros desconhecerão, a PX Millenium - nome bonito para as PX "travão de disco" - traz de origem uma lâmpada H4 de 12 Volts, 35/35 W (médios, máximos) que, em conjunto com uma óptica inovadora, fez maravilhas em relação à iluminação das Vespas mais antigas; em vez da vulgar luz mortiça e amarelada, finalmente as Vespas eram dotadas de luz forte, branca e potente!

Muitos contentaram-se com isso. Era de facto uma maravilha. Para mim, foi. A partir de certa altura, quis mais e apesar de todas as recomendações contra, decidi experimentar as lâmpadas H4 de 12V mais vulgares: 55/65W.

Apesar de tudo ter funcionado sempre sem problemas, notava-se uma falta de capacidade eléctrica do sistema para alimentar este aumento de consumo que em máximos, atingia cerca de 30W mais do que os valores origem. Quando ligava os piscas, notava as restantes luzes fraquejarem ao ritmo com que as luzes amarelas, piscavam. Normal: 55W da lâmpada da frente, em médios, mais 0,5W da presença da frente (está sempre acesa), mais 5W da luz de presença traseira, mais 21W dos piscas (como piscam alternadamente, só podemos contar um de cada vez) dá a linda soma de 81,5W. Se estivesse numa subida e a travar ao mesmo tempo, adicionem a tudo isto outros 21W – 102,5W. Se tudo estivesse de origem, o resultado seria 82,5W.

Posso estar a dizer barbaridades, por isso alguém que saiba mais que me corrija o engano, se o houver.

Com este novo rectificador LML, são esperados 96W de potência eléctrica disponível! Superior ainda aos 90W que os manuais dizem debitar de origem, a Vespa mais potente em termos eléctricos: a PX 125 T5. E eu que andava atrás de um rectificador de T5... Estão a imaginar o sorriso na minha cara? Quase proporcional à intensidade superior das minhas luzes!

Com a minha insanidade é furiosa, tenho lâmpadas XPTO que apregoam mais 50% de intensidade luminosa com o mesmo consumo e potência. Fiz um teste... Parece-me ser mais intensa qualquer coisa a luz da lâmpada que a deveria ter, sim, mas a fiabilidade do processo é lamentável: Vespa acelerada até a luz ficar estável (hei o rectificador está lá para limitar a corrente sim, isto não é nenhuma 50S ou Sprint que quanto mais se acelera, mais luz dá) e vai de fotografar...

H4 55/65W "normal

H4 55/65W "50% plus"

A mim parece-me não só mais branca, como mais intensa. Dentro dos limites do método descrito, tirando a minha tendência tendenciosa em querer ter mais luz, mais branca, mais intensa, com mais alcance...

Mas ainda não estou satisfeito! O ser humano é insatisfeito. E os relatos épicos de uma PK com um rectificador de 120W, não me deixam consolado com o que tenho actualmente e têm-me tirado noites de sono: como é que pode andar alguém numa Vespa mais luminosa que a minha?!? Tenho que melhorar.

A história dessa PK é verídica mas a origem do rectificador em questão, desconhecida. Mesmo que fosse conhecida, os rectificadores de PK apenas têm três ligações contra as cinco de um rectificador de PX (ver imagem). Não me serviria de muito a não ser averiguar se na marca fariam rectificadores igualmente pujantes para PX ou semelhantes.

P.S. - se alguém discordar do que aqui disse ou achar que sou um perfeito idiota mas que me pode ajudar, mande mail ou comente...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Pufff

A PX200 ficou sem luz STOP
Vim de Lisboa completamente "apagado" STOP
Um condutor dos TST avisou-me que vinha às escuras STOP
Espero que seja apenas do fusível STOP
As Vespas não gostam de água STOP

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Os meus votos, opticamente confirmados

Faço meus os votos do Instituto Óptico e da Óptica Modelo.

Publicidade

Fácil, fácil a receita desta mensagem: pega-se numa moda, em crescente de popularidade, agarra-se numa imagem sobejamente conhecida do Pai Natal a acelerar numa Vespa cheia de presentes natalícios e espeta-se na publicidade à nossa firma.

Depois espera-se que algum aficionado ou familiar de um ex-proprietário de Vespa, se cruze com a publicidade, a ache engraçada e a acabe por reter, mais ou menos inconscientemente, passando a outros.

Com sorte, um tontinho que tenha um blogue que verse sobre Vespa e tal vai-se cruzar com o outdoor e pode ser que se lembre de colocar esta imagem e divulgue a mensagem publicitária a mais uns quantos cidadãos que acedam ao blogue.

(não tenho nada a ver com esta óptica, apenas passei por ali)

Um grande, bom e feliz 2009!