quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um litro ou zero vírgula trinta e três?

Prova do Litro - Cartaz

Foi no dia 14 de Novembro de 2009, quase à uma semana, que não quis falhar a prova do litro, mais uma organizada pelo nosso Vespa Clube de Lisboa. Mais um ano também, como quase já manda a tradição, na zona de Tróia e compreende-se: a estrada com pouco movimento e mais ou menos recta tem poucas alternativas, na área da grande Lisboa.

A maioria da malta juntou-se no ferry. Este ano conseguiu-se que mais ou menos todos os participantes fizessem a travessia juntos. A previsão de chuva para esse Sábado, fez que com muitos desistissem da ideia de alinhar e contaram-se "apenas" uns cinquenta destemidos e pouco hidrofobos vespistas.

Este ano fomos levados mesmo para Tróia, onde antigamente desembarcavam os ferry que nessa altura custavam metade do preço, pela mesma travessia para a margem contrária a Setúbal, do mesmo Rio Sado. Depois de algumas voltas lá foi encontrado um local que pareceu indicado para pararmos e assim se fez: Vespas estacionadas, condutores e passageiros apeados, começou-se a preparar o assador das castanhas e a água-pé e o costumeiro e salutar convívio que já se tinha iniciado no ferry, perpetuou-se. E a nova Tróia estava bonita!

Prova do Litro - Tróia

Enquanto uns já tiravam a gasolina dos depósitos, outros conversavam, outros apanhavam os raios do pouco sol que ainda trespassava as nuvens e outros ainda, nada disto, um carro patrulha aproxima-se do local, abeira-se do grupo e... tínhamos que sair dali!

Civilizadamente o Sr. Agente lá nos explicou que Tróia, esta nova Tróia, é privada na sua totalidade e, aquela rua que julgámos do domínio público, tinha dono e esse dono não nos queria ali. Depois do pedido de desculpas pelo nosso desconhecimento aceite, o Sr. Agente, sempre amável, indicou-nos algumas alternativas de paragem e rogou que saíssemos assim que possível.

Confesso que notei uma ponta de vergonha, talvez apenas embaraço, por toda esta situação. Da nossa parte pelo desconhecimento da nova realidade e das novas regras. Da parte do Sr. Agente pelo bizarro de tal pedido, pela imposições de regras com as quais ele também não concorda. Pessoalmente não compreendo como é que interesses privados se podem sobrepor... a tudo. Tróia privada, apesar de bonita e muito segura – elementos de empresas de segurança presentes a cada esquina – nunca mais, decidi ali!

Belmiro / Sonae - zero, Agente / Autoridade - um.

Todos tentamos aceder ao pedido de celeridade no abandono do local e já com os 0,33 litro nos depósitos, lá fomos ver quem percorria mais quilómetros. Relembro que 0,33 é o tamanho de uma cerveja média e que poucos acreditam as distâncias que se conseguem percorrer com tão pouca quantidade de combustível.

As técnicas variam, desde os que vão em mudanças baixas e rotação constante, aos que engrenam uma mudança superior mas tentam manter a Vespa em velocidade baixa, ajudados pelo "empranchamento" para não oferecer tanta resistência, etc. Há os que pegam na Vespa e vão, há os que limpam e afinam carburadores. Não sei se existirá uma técnica mais adequada ou muitas possíveis, a diversão, essa, é garantida.

Os primeiros começaram a parar aos 6 km. A partir daí, foi um festival de dar ao kick, montar, mais uns metros, desmontar, dar ao kick outra vez, montar de novo, pega só mais uns metros, abrir depósito, espreitar, ainda tem qualquer coisinha no fundo, abanar a Vespa, kick ainda pega, montar, kick, já não pega, agora é que já fico mesmo aqui, quantos quilómetros afinal, etc. Os últimos percorreram quase 27 quilómetros!

A minha PX200, fez 9,9 km contagem oficial, mas percorreu 10,1 na contagem dela própria. Com condutor e pendura, 4 engrenada e a rolar à volta dos 30 km/h, tentando nunca deixar bater o motor, dá uma média de consumo de 3,3 l aos 100 km percorridos, o que me deixou satisfeito.

Prova do Litro - 10,1 km...

Ainda tivemos tempo para fazer uns estradões, a caminho do almoço, pelo meio dos arrozais e enfrentar à cabeçada e não só, alguns mosquitos mutantes de tamanho mais do que considerável. Depois foi o costume. Almoço, ó princesa, mais comida, óchefazavore, mais sobremesas, ó Serra olha as castanhas, conversa, conversas, mais um café, cheio, e um cheirinho, despedidas, que não quero apanhar chuva, eu ainda vou para Leiria, tu para ali, eu fico quase aqui e assim se passou mais um belo dia de convívio, máquinas – homens, homens – máquinas e homens – homens*.

Alguns ainda tiveram tempo para apanhar uma monumental chuvada no caminho de regresso, mas isso, dá outro post...

Fotos no site do Vespa Clube de Lisboa: normal | slideshow, no meu flickr: normal | slideshow, outros flickrs, scooterPT, facebooks, picasas, etc.

* mulheres incluídas!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Culpa da «hom'idade»

Desde há muito tempo que a minha Vespa não gosta(va) de piscar. Muito mesmo. Ora era o pisca do lado esquerdo que parava, resolvia-se per si, passava o da direita a ficar com problemas, sem nunca ter conseguido perceber os porquês: quer da avaria quer da sua resolução espontânea.

Ultimamente era o pisca do lado direito. Menos mal, porque considero que, nas mudanças de direcção, o do lado esquerdo é mais importante, pela localização manete das mudanças, pelo facto de ter que atravessar outra faixa de rodagem ou encostar-me ao eixo da via, etc.

Fartei-me: tinha que resolver isto de uma vez por todas!

Já em tempos tinha desmontado o depósito para conseguir aceder aos contactos dos piscas (onde o perno dos balons encaixam). Naquela altura e por alguma razão, os fios tinham-se soltado. Ligados de novo, tudo ficou a funcionar, mas não por muito tempo. Poderia ter acontecido de novo...

Despistada esta hipotética origem do problema, desmontei o balom todo e ficou provada a culpa da humidade. Além de ter originado um óxido estranho e esbranquiçado, à volta do casquilho da lâmpada, o ponto de contacto do balom com a restante Vespa - aquele perno com mola que se situa mais ou menos a meio do balom - também estava meio ferrugento. Apesar de já o ter limpo N vezes... mais vale prevenir...

Limpa a lâmpada, limpo o perno, nada; nem uma piscadelazita. Ó diabooooo, a humidade não era a única culpada nesta ocorrência.

Com a ajuda do carregador de baterias lá descobri, com a ajuda do efeito visual de uma faísca de tamanho considerável, que também existia um mau contacto na parte de trás do casquilho da lâmpada. Umas cacetadas com uma chave de fendas e um martelo - a minha consciência diz-me que deveria ter posto um bocadinho de estanho - lá resolvi a coisa e, voilá, Vespa PX200 (quase) como nova: pisca em ambas as direcções!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Museu Scooter & Lambretta

Em Fevereiro passado, recebo um telefonema de um grande amigo a falar-me de passagens de avião, baratas, baratíssimas, se queria aproveitar. O motivo, entre outros, ir visitar em Setembro a Casa Lambretta e o Museu de Scooter & Lambretta, em Rodano, Itália.

Acedi, claro: reunir bons amigos misturado com alguma cultura scooter, que programa perfeito!

Uma visita vale bem a pena, pelas scooters e, acreditem, há muitas que nunca viram ou que apenas conhecem dos livros da especialidade, recuperadas e ou em estado original, pelo norte de Itália que é magnifico, com lindíssimas paisagens - e belas ragazzas :) - e também pela simpatia de Vittorio Tessera, o anfitrião que nos recebe a todos de braços abertos.

Umas parcas fotos do museu que, espero, vos abra o apetite.





Geolocalização do museu, aqui.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

«usado como novo: Vespa usada»

Foi com este título que cheguei a esta Vespa, numa pesquisa, em nada relacionada com venda de Vespas, no Google.

Numa visita rápida ao link, pensando que era mais uma entre tantas outras vendas de Vespas a preços exorbitantes que por aí pululam, dou de caras com uma bela PX125 por "apenas" 750€!





Tendo em conta o estado geral que esta Vespa aparenta na foto, não estava a um mau preço. E tendo também em conta os preços "normais" do mercado e a recente aprovação da lei das 125 (e sendo esta PX uma 125 que todos os encartados da categoria A1 podem conduzir) e ter sido "encontrada" na net, era quase "um achado". Era... já foi vendida: ainda não foi desta que minha longa lista de amigos que querem uma Vespa ficou mais reduzida e consegui tornar um amigo mais feliz.

Prova que Elas continuam por aí. Basta procurar ou estar atento e, mais tarde ou mais cedo, tropeça-se em algo, quase sem querer...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

S - U - R - R - E - A - L

Tinha recebido um telefonema de manhã a avisar que havia grande confusão de trânsito no percurso que levo todos os dias para Lisboa. Parece que havia alguns problemas com os pagamentos multibanco nas portagens da Ponte 25 de Abril. Bah, grande problema, de Vespa vou passando pelos automóveis que se perfilam uns atrás dos outros, com relativa facilidade.

Chegado à ponte, já após as portagens, havia uma operação da Brigada Fiscal que pura e simplesmente parava o trânsito a seu belo gosto, para deslocar viaturas das "garrafinhas" mais interiores, para junto da GNR. Isto, mais os problemas com os multibancos, gerava a confusão.

Estava parado, descansado da vida, a pensar que não valeria a pena fazer a transgressão do dia-a-dia à frente do Polícia, quando o trânsito lá arranca novamente ao sinal de avanço deste e a Vespa segue marcha. Acordo com um grito de "Alto!", seguido de apitadela furiosa... Olho para trás surpreendido; tenho que encostar, segundo gesto do Guarda Fiscal. Ó diabo, queres ver que me vão revistar a Vespa? Há histórias de terem revistado vespistas na fronteira de Espanha e que por acaso até estavam a fazer contrabando de alfinetes... Ok, mas isso foi no tempo do Salazar!

Ao grito de "Isto não pode andar na Ponte!" por parte do Guarda Fiscal para o seu homólogo GNR, percebi o que se passava; otário, por isso mesmo é que és Guarda Fiscal e não GNR, capiche? Está visto que tens os mesmos conhecimentos que um seixo do rio, redondinho e rijo como tu. Sorrindo para o GNR apenas perguntei se poderia seguir. Sorriso retribuído, pergunta-me se a Vespa era um motociclo, resposta, tem 200cm3, passo cá todos os dias, amanhã pode-me apanhar facilmente, mais ou menos à mesma hora, devolve-me um siga lá, benevolente e risonho...

Siga que tenho mais que fazer!



Nesta foto, bem poderia ter entrado o Sr. Guarda Fiscal que queria ser GNR... Daqui, só aproveitava o UMM que a jola, média, já devia estar choca e morta.

De portageiros já tinha recebido "piropos" parecidos e recusas de me deixar seguir sem presença de um Polícia que o autorizasse, mas de um elemento policial, nunca! Sei que a especialidade deste Sr. Guarda Fiscal não é ser Polícia de Trânsito, mas... então... meta-se no seu ofício!

Eu também não sei alcatroar estradas...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dilatação do tempo



Não é raro sentirmos que viajamos no tempo ao volante de uma vespa. Um capacete aberto, uma estrada de campo e uma vespa clássica são a receita mais simples de o fazer, mas confesso que até nas modernas PX consigo sentir-me no antigamente. Voltamos atrás, até ao tempo em que pouca gente tinha carro, o tempo em que a moda não era ter um diesel XPTO ou viver atolado em empréstimos. Não que se vivesse melhor, porque o dinheiro faltava à mesma, mas também não se vivia acima das possibilidades. E o que havia para levar a família até à cidade? Uma vespa, ou uma motorizada de baixo custo e manutenção, e servia para tudo. Levava a mulher, o filho, as couves, por vezes até o cão. Não que seja um belo exemplo de segurança rodoviária, mas uma prova de que cada um se safa com o que tem. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e um país outrora movido em duas rodas passa à finesse dos engarrafamentos. Quem passou pela história da motorizada com a família às costas foge delas a sete pés, e quem não passou sente o preconceito de outrora: Andar de mota é coisa para o povo... e ainda por cima é perigoso. Pois é, mas não impede tanta e tanta gente em países desenvolvidos (e com muito menos dias de sol do que o nosso) de optar por uma mota quando se trata de escolher o veículo de utilização diária. Mas não é para o discurso moralista que cá venho. É para um vídeo com algo para nos ensinar e que ainda por cima mete vespas ao barulho, mas a viagem no tempo é feita no sentido contrário, ou seja, viajamos para o futuro. Já estão baralhados? Então 'bora lá...

Trata-se de uma explicação do Carl Sagan sobre a deformação do tempo quando viajamos à velocidade da luz. Primeiro vamos à ciência, que surge exemplificada no vídeo de uma forma tão simples que até eu fui capaz de perceber. Ligando à teoria da relatividade, temos que:


onde
 \Delta t \, é o intervalo de tempo medido por um observador em movimento com velocidade v relativa ao observador estático.
 \Delta t' \, é o intervalo de tempo medido por um observador estático entre dois eventos ocorridos no mesmo local.
 v \, é diferença de velocidade entre os dois observadores
 c \, é a velocidade da luz
No vídeo, o rapaz da vespa arrancou à velocidade da luz (ainda há-de me dizer que kit é que pôs naquilo, porque a minha pouco passa dos 100km/h...) e deixou o irmão no largo da aldeia. Após uma volta que para ele foi de alguns minutos, regressa ao largo e encontra o irmão já de bengala, ainda à sua espera. Pela fórmula, e numa análise puramente matemática, percebemos que se a velocidade do rapaz na vespa era igual à velocidade da luz (ou próxima disso), então a variação de tempo para o irmão que ficou no largo resulta na divisão da variação do tempo do irmão da vespa pela raiz quadrada de 0 (1-1=0), que por sua vez é também igual a 0. Ora... qualquer coisa a dividir por zero irá tender para infinito, e o tempo para quem ficou parado passou de forma infinitamente mais rápida do que para quem estava em movimento. Claro que a velocidade da luz é algo inatingível, mesmo em termos teóricos, mas enfim... já sabem que, quanto maior a velocidade a que se deslocam, mais devagar o tempo passa para vocês. Não que isto sirva de desculpa para andar em excessos de velocidade, porque à nossa micro-escala de velocidades pouca diferença fará andar a 200 ou a 120... e sempre se poupa no ambiente, em consumos/desgaste da viatura, e sobretudo em multas!

Fui à wikipedia sacar as fórmulas, e apercebi-me que o artigo onde estas constam (http://en.wikipedia.org/wiki/Time_dilation) contém um erro: Na descrição das variáveis da fórmula por mim exposta trocaram o  \Delta t' \, pelo  \Delta t \, (poderá conter mais, mas confesso que não o li todo).

Agradeçam ao Zé Pedro pela dica, senão nem havia vídeo nem a ideia de o tentar explicar ;)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Rotundas

Como as rotundas parecem um elemento em vias de expansão nas nossas estradas e como parece que há aí muita gente que AINDA não sabe circular nas mesmas, não é demais (re)lembrar algumas regras de circulação recomendadas.

Tendo em conta uma das muitas revisões do Código da Estrada, esta a de 23 de Fevereiro de 2005, relativamente à circulação em rotundas, os condutores devem adoptar o comportamento descrito em baixo.

O condutor que pretende tomar a primeira saída da rotunda deve: ocupar, dentro da rotunda, a via da direita, sinalizando antecipadamente quando pretende sair.

Se pretender tomar qualquer das outras saídas deve: ocupar, dentro da rotunda, a via de trânsito mais adequada em função da saída que vai utilizar (2ª saída = 2ª via; 3ª saída= 3ª via); aproximar-se progressivamente da via da direita;
Fazer sinal para a direita depois de passar a saída imediatamente anterior à que pretende uitilizar; mudar para a via de trânsito da direita antes da saída, sinalizando antecipadamente quando for sair.

Arranjamos três voluntários para circular numa rotunda, muito parecidos com um conhecido vespista da nossa praça (uma dica: testa LMLs em revistas da especialidade, de calções e chinelos, orgulhoso do seu físico pujante) que nos permitiram fazer esta ilustração, exclusivo aqui no Vespa & Companhia, para demonstrar como se deve circular correctamente nas rotundas.


Fig. 1 - como circular nas rotundas

Nunca é demais aprender e ou relembrar, quem já sabia, das boas regras que devemos ter sempre presentes. Mas, perguntam vocês mentes irrequietas, qual a multa para quem não cumprir?

Pois... nenhuma! É que aparentemente isto não é uma regra é um... conselho (!?!), uma boa prática... A ser cumprida, facilita a vida de todos, a não ser cumprida, dificulta-nos a todos menos a quem não cumpre, além de colocar em perigo quem cumpre, mas temos que nos contentar com isso.

E se por obra do acaso, não do desrespeito desta regras, ocorrer um sinistro, imaginem, a culpa será de quem circula como aconselhado pelo código da estrada e autoridades!

Curioso, não é?

Livrem-se de não aparecerem no 13º Iberovespa 2009 - Arganil!