terça-feira, 4 de maio de 2010

O Traidor


A saga começa aqui. O que faz uma LML 4T numa concentração de Vespas? Bem ou mal, e a meu ver, isto resulta de políticas comerciais que funcionaram como a seguinte analogia:
Imaginem que a vossa marca favorita de calças de ganga (marca X) resolve dedicar-se exclusivamente à bombazine, e vocês descobrem que há uma marca Y que fabrica calças de ganga tal e qual aquelas que sempre usaram (e que julgavam desaparecidas do mercado). Agora suponham que essa marca não só fabrica as calças iguais, mas começou a fabricá-las num tom de azul que sempre esperaram que viesse a sair na marca original, mas que esta nunca comercializou antes de se dedicar à bombazine. Passavam a usar calças de bombazine, só porque são daquela marca X, ou iam comprar da marca Y por ser na mesma o tipo de calças que vocês preferem?
(para traduzir o parágrafo acima, calças de bombazine são scooters automáticas, calças de ganga são scooters de mudanças manuais, e o dito tom de azul seria um motor a quatro tempos)

Chamem-me traidor, tentem excomungar-me de qualquer Vespa Clube, mas desconheço a existência de outra scooter à venda no mercado que se aproxime mais do que é o meu conceito de vespa: uma scooter de mudanças manuais. O motor a quatro tempos é uma mais-valia e, acreditem, vão deixar de sentir a falta do som tradicional de uma vespa quando fizerem o primeiro abastecimento.

Ficam para breve as primeiras impressões!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pura matemática

Sendo que no percurso normal de casa – trabalho – casa, faço uns rigorosos 47,2 quilómetros, medidos com a precisão exacta do conta-quilómetros da minha PX200, multiplicando pelos 227 dias que se espere que trabalhe – aos 252 dias úteis previstos para 2010, retirei os 25 de férias que terei direito – neste ano de 2010, farei cerca de 10714,4 quilómetros só neste trajecto.

Tendo em conta que o consumo médio actual da minha Vespa é de 4,37 litros aos 100 quilómetros percorridos, gastarei 468,2 litros de gasolina sem chumbo 95 octanas.

Sabendo que o padrão de produção de CO2 anda à volta de 1 litro consumido origina 2,36 quilogramas de CO2 – pressupondo que a mistura ar / combustível está "perfeita" – vou contribuir com cerca de 1105,1 quilogramas deste famigerado gás, para o terrível efeito de estufa e consequente aquecimento global.

Em termos de impacto nas minhas finanças, a preços correntes da gasolina 95 – 1,425 euros por litro, com tendência a aumentar – gastarei 667,1 euros em combustível, apenas neste percurso.

Temo que estes resultados se venham a agravar, até porque:

- irei andar mais do que os quilómetros revelados nos cálculos em cima, pois não ando ou andarei com a Vespa apenas no percurso casa – trabalho – casa;

- o valor do consumo médio, com a maior distância percorrida diariamente em AE e consequentemente – mesmo que se tente muito muito resistir – aumento da velocidade média de circulação, tende a crescer (e tem crescido!);

- o valor de produção de CO2 por litro, na Vespa, temo que seja maior do que os 2,36 kg/l, não só pelo facto de ter carburador e nem sempre se conseguir "acertar" na mistura de ar / combustível ideal, mas também pela ausência de catalisador;

- acrescente-se também o consumo de óleo.

Ufa, tantas contas... fiquei cansado...

Para desanuviar um bocadinho, vou ali ao Iberovespa 2010, em Albufeira, e venho já.



Vemo-nos lá ou vemo-nos por aí...

P.S. - acabou de me ocorrer um outro cálculo: tendo em conta que com 1 depósito percorro em média 153,7 quilómetros, irão ser necessários 69,7 depósitos, para os percorrer os estimados 10714,4 quilómetros. Sessenta e nove, curioso número esse...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Learning how...

Aproveitando a pausa nos dias difíceis de chuva – que entretanto parece que voltaram – e a boa onda que o calor parece despertar em todos nós, os que já andamos de Vespa e os que ainda não andam mas gostavam muito de andar... e fez-se um filme.



Se fosse professor e tivesse que pontuar as operações de retirar a Vespa do descanso, abrir a tornei de gasolina, puxar o botão do ar, teria que dar uma classificação alta. Junte-se a postura correcta... estava passada com mérito e distinção!

P.S. - Orgulhoso eu? eh eh eh

terça-feira, 23 de março de 2010

... soltanto pioggia!

Apesar de já há umas duas (ou três?) semanas não apanhar chuva, continuo com a Vespa ensopada, ao ponto de espremer o banco e da esponja continuar a sair água.

Noite após noite, quando a Vespa repousa finalmente na garagem, deixo o banco aberto para que a água escorra para a extremidade do banco e, manhã após manhã, espremo-o para retirar o excesso de água.

Numa destas sessões, resolvi experimentar fotos da Vespa, de ângulos estranhos. Eis o resultado, em baixo (onde se pode ver muita sujidade, originada pela circulação no dia-a-dia e, por ela mesma também, a chuva)...

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Até hoje, ainda sai!

sábado, 6 de março de 2010

Viagem molhada, viagem abençoada

(ou o Passeio à Serra da Estrela do Vespa Clube de Lisboa, edição de 2010)

Este ano estive quase vai não vai. Acabei por optar pelo vai e fui. Confesso que este tempo de chuva, muita chuva, demasiada, chuva, me esteve quase a embrulhar num fim de semana caseiro, rotineiro, em frente à televisão, de mantinha pelas pernas, a ver programas desinteressantes e a pensar nos malucos que tinham ido com este tempo para a Serra da Estrela, de Vespa. Apesar do alerta amarelo, apesar da chuva, apesar de tudo.

VCL @Penhas da Saúde
Alerta amarelo e ventos fortes = Vespas na "garagem" da pousada
Juntei-me a eles, quis ser como eles; doido ao olhos do mundo que não percebe que de Vespa, não chegam os dias do dia-a-dia, nem as estradas, nem nada e que, o fim do mundo afigura-se perto, quando sentimos o formigueiro de mais uma viagem, de rever amigos, de partilhar momentos imperdíveis. Não há chuva que nos impeça, nem frio que nos demova! E não me arrependi. Muito...

A chuva ininterrupta que apanhamos desde Lisboa até às Penhas da Saúde, de noite, depois de mais um dia de uma semana inteira de trabalho, acho que me fez pensar em avariar a Vespa e chamar a assistência em viagem, no Domingo, à volta para Lisboa. Mas resisti a tal pensamento macabro. A alegria e calor humano extremo sentido na recepção com palmas com que nos brindaram à entrada na pousada, ajudaram e derem alento e força: depois de cerca de 5 horas em cima da Vespa a levar com chuva, primeiro e depois chuva e frio, chegar gelado e ser saudado desta forma, soube pela vida!

O resto da sexta-feira foi passado na conversa. Conversa mais um bocadinho, pouco que o cansaço aperta e o sono obriga a recolhimento, descanso e clama pelo quentinho dos cobertores. Sexta-feira is over.

Como o tempo no Sábado não nos deu o gosto de melhorar e, adivinharam, esteve todo o dia a chover, teve que se alugar um autocarro, tipo excursão, à pressa (e com muita sorte de se ter conseguido tão em cima) onde todos fomos reapreciar e comprovar as delícias e pançadas gastronómicas proporcionadas pelo nosso querido “O Albertino”, em Folgosinho. Pelo meio e como o autocarro era demais só para nós, ainda demos um charme vespista para cima de uns (e umas) ocupantes da Pousada das Penhas da Saúde que nos acompanharam e racharam despesas de aluguer. Curtiram, acho eu, nós também e isso é que se quer. E depois ainda nevou!

Ainda no autocarro, já no regresso à pousada, um interessante diálogo com alguém que se apoderou do microfone do veículo e que a cada segundo nos informava que estava a nevar. Alguém replicava que era chuva e assim foi desde a Covilhã até às Penhas da Saúde. E não é que nevava mesmo! Primeiro pouco, depois mais e já de noite ainda deu para escorregar em sacos de plástico e guerrear pacificamente com bolas de neve feitas à pressa que a guerra não perdoa e há que replicar a todo o custo.

Que me lembro mais do Sábado? Dormiu-se à lareira, conversou-se à lareira, percebeu-se o funcionamento dos recuperadores de calor, fez-se muito calor com a lareira, enxugou-se sapatos, roupa, luvas, derreteu-se botas (eu avisei!), comeu-se uma sopa quentinha e boa, bebeu-se vinho, com gasosa ou só vinho, comeu-se, conversou-se e acabou a noite. Achei que cedo demais, mas acabou.

(perto de) Monsanto(perto de) Monsanto
O regresso, no Domingo, foi feito, via Monsanto. Mas antes ainda tivemos tempo para experimentar andar de Vespa sobre a neve e o gelo que tinham caído. Da pousada, até à estrada Covilhã – Torre. Foi pouco mas deu para sentir o que é escorregar... Deu também para tirar umas deliciosas fotos tendenciosas que nos colocam no meio de uma qualquer altura em que aquela estrada ficou cortada pelos nevões.

Das Penhas da Saúde a Monsanto, fomos poupados e o sol até espreitou a espaços. De Monsanto a Lisboa, fomos regados e nada mais a não ser chuva. E que grande cargas!

Fiquei contente com o meu "novo" fato de chuva e as galochas pelo bom trabalho na retenção da chuva e por me terem permitido chegar, a ambos os destinos, quase seco. Desejaria mais quentinho, mas nem com os collants, calças e fato de treino, três pares de meias, 2 t-shirts, camisa, camisola, casaco de lã e casaco de mota, mais fato de chuva por cima de tudo isto, me senti muito confortável, termicamente falando.

E, no final, foi mais uma que adorei!

Fotos aqui, aqui, aqui e por aí...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Chuva, não rima com espírito natalício

Há qualquer coisa de lobisomem no ser humano, quando chove. Sim, não é na lua cheia, mas quando chove e têm um veículo nas mãos. Ok, não se transformam em lobos a uivar à lua, mas noutra coisa qualquer por descobrir e com reacções mais perigosas que um uivozito de um animal, meio homem, meio bicho com laivos de coisa.

Não consigo relatar as figurinhas que vi serem feitas, na estrada, por ter caído uma carga de água descomunal (que, a propósito, apanhei e, estou para perceber como, não estou ensopadinho) e ter inundado certos troços de estada e estar a trovejar e estar trânsito e...

Pessoas aos berros, pessoas à pancada, murros, berros, gentinha a dificultar a minha passagem (em vou de Vespa, acabarei por passar, ali, acolá, mais metro, menos centímetro, capiche?), a dificultarem-se propositadamente uns aos outros, a apitar, a gesticular, a praguejar contra alguma coisa intangível que nem os próprios explicariam a quem se atrevesse tentar estabelecer um contacto civilizado.

No meio de tudo isto, os vulgares mirones ou orçamentistas, a travar no meio da estrada para observar a desgraça dos acidentes alheios e que provocam ainda a fúria de gente apressada, buzinadelas, máximos acessos. Ambulâncias, carros da polícia que teimam abrir caminho por onde não existe. Trovões. Chuva. Vento ciclónico em cima da ponte, rajadas que me fazem balançar entre as faixas de rede. Nova fúria de alguém que segue atrás, máximos, apitos. Encosto-me à direita. Passagem em aceleração errada, muito acima do aconselhável para as condições do tráfego, da estrada, do espírito geral.

Trânsito parado. Espero. Consigo ver que impossível passar no meio dos carros e dado o sentimento geral, temo forçar a passagem. Espero. Sinto a chuva a bater no capacete, o vento a enrolar a água pela viseira acima. Uma gota teimosa escorre-me pelo pescoço, solitária. Encharca-se o perú da ceia do natal que levo aos pés. Espero. Lá começa tudo a deslizar novamente, soluçando, deslizando. Avanço. Engreno a primeira, salta para segunda, terceira... quarta é arriscado. Rajada de vento.

Mais à frente, já depois da ponte, acabo por passar pelo (um dos muitos) condutor apressado. Aceno; (quanto mais não fosse) é Natal rapaziada e só está a chover, mais nada!